Don Panoz: "o que eu teria feito diferente"

Don Panoz
A revista americana Car And Driver entrevistou Don Panoz, inventor do sistema transdérmico, dono de dois resorts, ex-proprietário de autódromo e da American Le Mans Series. Agora é um devoto do DeltaWing.

O senhor estudou em escola militar. Foi uma boa experiência?

Ajudou. Fui cadete, depois conheci minha esposa, o que me rendeu jantares grátis aos domingos. Depois, ensinou-me a arrumar melhor minha cama, a prestar mais atenção, a estar antenado. Se eu falhasse, teria que caminhar ao redor de um mastro. São lições da vida. Você paga pelo que você faz.

O senhor inventou o adesivo, mas ainda fuma Silk Cuts?

Verdade. E, cara, são difíceis de encontrar. Usei adesivos até que Mario Andretti bateu seu carro em Le Mans e seu rádio pifou. Um rapaz estava fumando na minha frente. Fiquei tão apavorado que tirei aquele cigarro de sua boca. Foi assim que veu vício retornou.

Depois da união com a Grand-Am, o senhor não é mais proprietário da American Le Mans Series, Road Atlanta e Sebring. Sente falta de algo?

De tudo. Lembro-me do quanto gostava de Sebring quando o comprei. O mesmo aconteceu com Road Atlanta. Mas eu já tenho 78 anos, e minha esposa disse: "Don, está na hora de jogar fora estas passagens de avião e parar com tudo isso".

O senhor pode revelar quanto os franceses pagaram pela ALMS?

Não.

Qual o status da fábrica de carros de seu filho?

Há muitas exigências do governo. Em 2007, ele disse: "não posso fazer isto".

Se eu dissesse que o império Panoz vale três bilhões de dólares, estarei longe da marca.

Espere um pouco. Eu criei uma empresa que se tornou pública, então muitos acionistas possuem a riqueza. Comecei em 1969 com 150 mil dólares. Quando me aposentei, o valor da minha empresa era maior do que o de todos os bancos da Irlanda. Mas a minha esposa e eu certamente não somos bilionários.

O senhor já trabalhou com muitos pilotos. Algum favorito?

Eu não posso acreditar que eu tive 42 pilotos ao longo dos anos. Mas dois caras realmente se destacaram. Primeiro, eu conheci Adrian Reynard, em 1996, que construiu o GTR-1 para mim. Todo mundo avisou: "não misture corrida e ingleses!". Mas eu achei Adrian exemplar. Quando ele perguntou que tipo de corrida eu queria fazer, eu só estive em quatro na minha vida, e eu estava pensando na do filme de Steve McQueen, e disse: "eu quero fazer os carros que você vê em Le Mans". Eu não sabia o nome do filme ou da série, só gostava do fato de os carros tinham de suportar todo aquele tempo na pista. O segundo cara que me vem à mente é Mario Andretti, tão diligente em passar seu conhecimento para os pilotos da equipe Panoz, Jan Magnussen e David Brabham. Uau, que classe.

O senhor tem dois golf resorts? Tens algum jogador de golfe favorito?

Gene Sarazen. Ele e meu pai eram muito próximos. Gene mudou seu nome de Saraceni, meu pai mudou o seu de Panunzio. Meu pai era pugilista, Sarazen era jogador de golfe. Aos 95 anos, Gene ia jantar com suas quatro mulheres e abria a porta para todas. Um verdadeiro cavalheiro.

Entusiasmado com o futuro do DeltaWing?

Claro. Aquele carro é o favorito de muitos, o que desperta interesse e patrocínios. Muitas pessoas me dizem que têm problemas em falar dos carros que competem, mas reconhecem imediatamente o DeltaWing. É importante, pois eu gosto de vender carros, estamos naquele negócio.

DP: [Long pause.] There's that line from As You Like It: "All the world's a stage, and all the men and women merely players; they have their exits and their entrances, and one man in his time plays many parts . . ." And I've played some parts. The pharmaceutical business was hard, because it entailed sorting out government versus science versus technology. Car racing was hard, because I had that I-think-I-can-do-it-better attitude, and racing could become irritating if any technical detail wasn't perfect. Then there's the resort business, where, if  you stay on top of  it, guests grab you and say, "Wow, Don, I really enjoyed myself  here, thanks so much." And that feels good. So you figure it out.

Achas que pode vender DeltaWings a consumidores?

Bem... não quero falar sobre isso agora.

Uma vez, o senhor foi cogitado para ser candidato à presidência da ACO e da FIA. Houve interesse?

Não, obrigado. Quando ia correr, perguntava-me por que, quando estava a mais de 300 km/h, ainda tinha que lidar com política.

O Grande Prêmio de Fórmula 1 em Austin foi um sucesso. Quer dar um conselho para que continue viável?

Sim. Ache uma forma de incrementar seus negócios com Bernie. O negócio dele é fazer dinheiro. É o que ele faz, Deus o abençoe.

Alguma coisa que teria feito diferente em sua carreira?

Há uma linha do livro 'As You Like It': "tudo no mundo é um jogo, e todos os homens e mulheres são meros jogadores. Eles têm suas entradas e suas saídas, e um indivíduo joga em várias coisas." E eu tenho feito isso. A parte farmacêutica foi difícil, pois eu encarei um duelo governo vs. ciência vs. tecnologia. As corridas foram complicadas, porque eu tinha uma atitude "penso que posso fazer melhor", e correr podia ficar irritante se não encontrava o acerto ideal. Então veio a parte dos resorts, onde se você está no topo, visitantes vêm até você e dizem: "Uau, Don, eu realmente adorei estar aqui, muito obrigado". E você se sente bem. Então acaba descobrindo o que vale a pena.

O texto original pode ser conferido clicando aqui.

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