Ben Collins: "o que eu teria feito diferente"


Ben Collins, recentemente popular pelo papel do Stig branco, no programa britânico Top Gear, concedeu entrevista à revista Car And Driver.

Vamos começar do princípio: você nunca havia pilotado um carro até os 19 anos?

Exatamente. Minha primeira vez ao volante de um carro de corrida foi no autódromo de Silverstone, numa escola de pilotagem. Rodei várias vezes, mas, na primeira volta "limpa", quebrei o recorde do carro na pista, e meu instrutor disse a meu pai: "ele pode se tornar um ótimo piloto".

Você era veloz, e competiu lado a lado com pilotos que chegaram às categorias máximas dos monopostos, como Mark Webber e Scott Dixon. Por que sua carreira nos single-seaters foi interrompida?

Provavelmente, por causa da falta de dinheiro e contratos de patrocínios, além da minha inexperiência com o lado business do esporte a motor. Se você quer estar lá, precisa achar o caminho, e por alguma razão, eu não consegui. Optei por continuar minha carreira nas categorias de turismo e esporte-protótipos. Não fiquei com nenhum gosto amargo na boca por conta disso, pelo contrário, isto me deu a oportunidade de a disputar a Le Mans Series.

Você ainda teve tempo de ingressar no Exército Britânico. É verdade que você adquiriu precisão de pilotagem no Serviço Aéreo Especial?

Hum, estava aqui pensando o que poderia falar sobre isso, e minha resposta é: NADA!

Fale sobre seu tempo no Top Gear, como o Stig branco. Como conseguiu este emprego tão cobiçado?

Quando o Stig preto, Perry McCarthy, saiu do programa, fui chamado para uma entrevista. Eles me deram as chaves de um Ford Focus, do qual eles já tinham uma volta cronometrada na pista, para servir como base para a minha. Eu não tinha ideia do tempo que aquele carro tinha na pista, então, tentei guiar o mais rápido que pude. Acho que fui rápido o suficiente, pois me contrataram logo depois disso, e só deixei de ser o Stig branco depois de oito anos.

E tinha que preservar sua identidade...

Eu vestia uma balaclava em todos os lugares onde era filmado, e tinha que assegurar que meu nome não estaria em objeto algum que ficasse dentro do carro. Para ser sincero, isso só funcionou durante algum tempo. Não demorou até o pessoal da BBC começar a tentar descobrir quem estava por baixo do capacete. Assim, tive que criar um alter-ego, que chamei de "Richard Jameson", complementando-o com um BBC ID falso, para derrubar eventuais suspeitas.

E ao longo do seu trabalho, você fez algumas manobras dignas de cinema, incluindo a chance de destruir o Aston Martin do James Bond.

Sim, o do Quantum of Solace. Queriam fazer uma cena de perseguição. Tínhamos Aston Martins e Alfa Romeos, uma dúzia de cada marca, e nós batemos estes carros em estradas da Itália.

De volta ao Top Gear. Você queria ser o Stig, mas você foi convidado a disputar a Le Mans Series, mas a BBC não permitiu que você aceitasse a proposta.

Atualmente, é o maior desapontamento da minha vida. Sou um piloto, e correr é uma das razões pelas quais aceitei o emprego na BBC. O Stig é uma espécie de "catalisador" para algumas grandes pilotagens. Tive a oportunidade de correr na Le Mans Series, mas os motivos que decidiram que não seria naquele momento que isso aconteceria "não estavam no Stig".

O que nos leva à sua polêmica decisão de escrever uma biografia. Você chegou a pensar na possibilidade de que isso iria expulsá-lo do Top Gear?

Isso é um equívoco. Só comecei a escrever o livro quando a BBC começou o processo para me substituir. Fui até o meu chefe, Andy Wilman, produtor executivo do Top Gear, e expliquei que eu tinha escrito um livro. Inicialmente, foi tudo muito fácil, eu acho que eles só estavam preocupados com o que eu fosse escrever sobre o programa, se eu estava realmente certo sobre isso. No entanto, os advogados se envolveram e tentaram proibir a publicação.

Eles não conseguiram. Agora, você está sendo processado por perdas e danos, em virtude da violação de um acordo de confidencialidade. Você deve lamentar o atrito que isso tem criado entre você e o resto da equipe...

Em primeiro lugar, meus bons amigos que conheci no Top Gear mantiveram-se meus bons amigos. Em segundo lugar, os que se viraram contra mim acabaram de provar que não eram meus amigos. Sempre me disseram que eu estava nas mesmas condições e tinha as mesmas oportunidades que os apresentadores, e escrevo livros há anos. Parece idiotice, mas prefiro seguir em frente e pensar que o Stig "foi um fato positivo na minha vida".

Então, o que você teria feito diferente?

Teria deixado o Top Gear mais cedo, sem remorsos.

E sobre o seu futuro?

Naturalmente, saindo de um show com um trabalho bem sucedido, estou interessado em manter esse ímpeto com outros trabalhos na TV e mostrar o que esse cara chamado "Ben Collins" é capaz. E continuar a competir, claro. Adoraria ganhar a Le Mans Series e disputar corridas nos Estados Unidos, quem sabe, tornando-se o primeiro britânico a competir na primeira divisão da NASCAR.

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