Stirling Moss: "o que eu teria feito diferente"

Stirling MossDe 1948 a 1962, Stirling Moss competiu em 527 corridas, chegando ao final em 375, vencendo 212, sendo 16 delas na Fórmula 1. Sir Stirling, de 83 anos, falou à revista americana Car And Driver sobre o automobilismo na época do seu auge e agora.

O senhor competiu em uma vintage race em Lime Rock, onde alguns veículos que surgiram na sua época estiveram presentes. Estás surpreso pelo fato de que corridas de carros antigos terem se tornado tão populares?

Estou muito orgulhoso disso. Hoje, esses carros valem muito mais do que quando novos. Um Maserati, quando saía da fábrica, não chegava nem perto de como ficou depois de alguns anos de restauração. Uma coisa que me deixa perplexo é que essas pessoas que guiam estes carros hoje sabem que correm o mesmo perigo que nós presenciávamos há mais de cinquenta anos.

Tivemos uma corrida no Texas, e pode ser que tenhamos outra, em Nova Jersey. Achas que a Fórmula 1 finalmente encontrou seu caminho nos Estados Unidos da América?

Tenho esperanças que sim. Os americanos sentiam muita falta da categoria. No entanto, hoje em dia, a segurança é a única coisa que importa, e a maioria dos circuitos não serve para a Fórmula 1 atual. É necessário construir um complexo que agrade tanto ao Bernie quanto aos patrocinadores. Isso realmente diminui a emoção de ver a Fórmula 1.
Stirling Moss
Então, não se arrepende de tua carreira na Fórmula 1 ter ocorrido na sua época e não agora?

Nem um pouco. Meu tempo nas corridas foi fantástico. Quando eu penso em ser, por exemplo, Lewis Hamilton, ele ganha uma corrida, e ele tem que passar as horas seguintes falando com a mídia e os patrocinadores. Quando eu ganhava uma corrida, eu poderia simplesmente sair e perseguir as garotas. Isso não é um negócio muito melhor do que ele tem? Eu não sou do jeito de fazer as coisas que Lewis pratica, mas eu suspeito que a minha qualidade de vida era muito maior do que a dele é agora.

Seu pai, Alfred, era um piloto talentoso. Suspeitou logo no início que também poderia seguir a carreira dele?

Meu pai não gostou da idéia, mas ele disse que, se você vai fazer isso, terá que usar um capacete. E mostrou-me o que havia de melhor em capacetes, então, eu disse: "isso é muita frescura, todos os pilotos rápidos só tinha capacetes de pano". Ele me respondeu: "De jeito nenhum. Você vai usar um capacete adequado". Então eu tive que ceder.
Stirling Moss
E quanto à sua preocupação com a segurança?

Uma das razões que eu comecei a correr é porque era perigoso. Se você estava procurando coisas emocionantes para fazer, o perigo das corridas era parte da atração. Na década de 1950, eu me lembro que alguém apareceu e sugeriu que deveriam usar macacões à prova de fogo, e eles trouxeram algumas coisas, bórax, eu acho, que você embebia em seu macacão e o secava, mas eles ficavam tão feios e enrugados que nenhum dos pilotos usou.

Se você sofria um acidente e pegava fogo, a melhor coisa a se fazer e cair fora dali. Por isso que nunca usávamos cintos de segurança. Nunca o usei durante toda a minha carreira.


Quem foi o melhor piloto que o senhor conheceu?

Na minha época, Juan Manuel Fangio. Eu o venci nos sport-protótipos, mas na Fórmula 1, ele era o melhor no mundo.

O senhor pode ensinar um piloto a ser um vencedor?

É como tornar-se um cantor. Tem que ter uma boa voz, mas qualquer um pode chegar perto. No esporte a motor, tem que ter o "feeling", e se você for uma pessoa competitiva, precisa vencer e não aceita sequer o segundo lugar... claro que este sentimento é importante, mas pode tornar sua vida mais difícil. Para mim, lidar com isso foi muito complicado.
Stirling Moss' Mercedes-Benz SLR McLaren
O que o senhor teria feito diferente?

Fora o acidente que sofri em 1962, onde bati um Lotus em Goodwood, fiquei em coma por um mês, e parcialmente paralisado durante mais alguns meses, acabando com minha carreira nas pistas?

Sim, fora isso...

Adoraria ter corrido na Indy. Não foi possível na época, eu teria que gastar um mês inteiro em Indianápolis no "rookie test", e eu estava correndo cinquenta vezes por ano. Em um mês, tive a chance de competir em quatro corridas internacionais importantes. Eu teria que voar até lá, praticar, correr e cair fora dali. É um enorme evento, uma promoção fantástica, e eu me arrependo de não ter feito isso.

O texto original pode ser conferido clicando aqui.

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