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Pensando o desenvolvimento de software

Palestras 7Masters PHP | Desenvolvimento de Software com Ivo Nascimento
Franqueza, reflexão e análise da diferença entre simplismo e simplório são os três pontos que esta palestra aborda quando vai-se “pensar o desenvolvimento de software”.

A franqueza é o pilar base dessa reflexão. Onde o profissional mostra sua maturidade e permite que seus pares também amadureçam.

Um ambiente onde existe franqueza é aquele onde os profissionais se sentem seguros para dizer "não sei", por exemplo.

Os melhores ambientes de trabalho têm essa característica, e as empresas e profissionais que praticam e incentivam a franqueza são mais felizes com relação ao seu trabalho e resultados.

Como as universidades acompanham as tendências da internet?

O mundo digital é extremamente dinâmico. A cada dia novidades brotam no mundo digital, o que torna mais difícil as pessoas assimilarem todas as inovações. Em muitos casos, quando já estamos entendendo uma determinada ferramenta, aparece outra e depois outra que logo cai no gosto popular e é preciso saber mexer. Uns para uso comum, outros para ganhar dinheiro com as redes.

Uma forma de entender a dinâmica dessas novidades e tendências da Internet é buscar cursos de curta, média ou longa duração para ver na teoria e prática como as redes funcionam. Aqueles que desejam saber como usar a rede para se divertir, não vão procurar cursos profissionalizantes, entretanto, aqueles que atuam com comunicação e marketing e que desejam construir carreiras na área de Internet, já entenderam que quanto mais estudarem mais capacitados estarão.

A difícil arte de manter uma agência digital

Uma agência digital não caminha apenas com sua criatividade. Para que ela se desenvolva de uma forma saudável e lucrativa, é fundamental que os sócios tenham um conhecimento de governança corporativa, para que saibam lidar com questões além da área técnica.

Geralmente, uma agência digital nasce quando um programador e um designer, que trabalham em uma empresa como PJ, começam a fazer freelancer para terceiros, e então percebem que, isoladamente, ganham muito mais do que seus salários. Assim nasce a ideia, e esses profissionais, que já possuem um CNPJ, alugam um escritório, um telefone, transformam esses jobs em clientes fixos e vão trabalhar o mercado. É aí que começa, muitas vezes, o problema.

A escassez de mão de obra digital

O mercado de agências digitais enfrenta uma escassez de mão de obra em diversas áreas e funções. Entre os mais requisitados, estão os profissionais que gerenciam mídia de performance e de programação em Flash, que estão em formação, dentro de um lento processo educacional.

Aqueles que já estão no mercado são caros. Os programadores, ainda, são um caso à parte, porque as agências concorrem com o mercado de TI e, até 2014, haverá uma carência de 400 mil postos.

Há uma lacuna, também, para diretores operacionais, que são aqueles que conhecem um pouco de tudo na empresa, graças à experiência adquirida, e diretores de criação com perfil de liderança, que queiram formar e capacitar um grupo.

Por que faltam profissionais qualificados na área de TI?

Em pleno século 21, quando enfrentamos o "boom" da tecnologia, que vem facilitando muito a vida de todos, deparamo-nos com um novo e sério problema: estamos encarando uma crise em relação aos nossos profissionais. O que vemos é uma grande procura do mercado e, em contrapartida, pouca capacitação dos centros de formação, cursos técnicos, faculdades e universidades.

Dois motivos importantes para a falta de profissionais qualificados são o ensino defasado e o foco na teoria, e percebe-se que as universidades não estão alinhando as reais necessidades do mercado com o que é passado em sala de aula. Hoje, o mercado busca cada vez mais conhecimento aplicado, enquanto os cursos de formação continuam com foco maior na parte teórica.

Sobre ter a agência ao lado do motel

Se um dia você tiver de escolher um local para colocar sua agência, não escolha ao lado de um motel. Pode ser perto de hospital, delegacia, corpo de bombeiros, manicure, armarinho, tabacaria, banca de jogo do bicho, menos motel. Sabe por quê? Não importa a hora do dia ou da noite, sempre haverá gente entrando e saindo do motel. O problema é que, ao assistir a essa cena repetidas vezes, é inevitável pensar em quatro coisas:

1: tem gente se divertindo
2: não é você
3: e por que não é você?
4: por que você tem de trabalhar?

Difícil não ficar incomodado com essa sequên­cia de pensamento dia após dia. Tente imaginar: você a caminho de um cliente para apresentar um planejamento anual, e um casal entrando no motel. Indo participar de uma concorrência, e um trio entrando no motel. Indo acompanhar grupos de pesquisa, e um grupo entrando no motel. Você chega às 7h30 da manhã para adiantar um trabalho, e não é que alguém acordou mais cedo ainda para… Enfim, ir ao motel?

Por mais que se tente não pensar no assunto, não adianta: ele atravessa o seu caminho. O carro que o fechou lá atrás, para onde está indo? Para lá. Um Corsa apressadinho passa por você. Onde entrou? Você já sabe.

Para piorar, tem um semáforo praticamente na porta do referido estabelecimento. Sinta o drama: você atrasado, ansioso esperando o sinal abrir, e assiste a um casal com aquela expressão de contentamento só vista em comerciais de automóvel.

Essa sensação de que as pessoas têm vida sexual ativa às 3h da tarde de uma terça-feira é desconcertante. Desassossega a alma.

Você deve estar pensando: “Mas que conversa é essa? Este é um jornal sério.” Pois bem, amigos, este assunto também é muito sério. Refere-se à produtividade e motivação da equipe. Não coloque sua agência ao lado de um motel.

Mas esta coluna não é sobre criação? Justamente. Aborda como os criativos são dispersivos. Imagine você que eu preparava para esta coluna um artigo sobre “A arte de escrever fácil”. Nele, condenava o uso de palavras difíceis, textos truncados e expressões em inglês que infestam a comunicação em geral. Vícios que, durante muito tempo, foram tidos como sinal de competência e autoridade. Mas que hoje, felizmente, passam a ser vistos como o que real­mente são: falta de habilidade para escrever.

É com alegria que vejo figuras respeitadas como Laurentino Gomes e Marcelo Gleiser alcançarem enorme sucesso escrevendo obras ao mesmo tempo densas e acessíveis. Enfim, eu voltava para a agência para dar um tapinha final neste texto, quando me perdi em frente àquele maldito motel.

Carlos Domingos, sócio e diretor da Age Isobar, escreve para Meio & Mensagem na página de Opinião. Este texto foi publicado na edição 1501, de 19 de março.

Coisas que eu gostaria de saber como um estudante de ciência da computação

Eu diria que a maioria dos estudantes de Ciência da Computação não sabe no que precisa prestar atenção. Afinal, há milhões de ideias competindo por sua atenção e todas parecem igualmente importantes. Mas não são.

Quando eu penso em meus primeiros anos como um desenvolvedor profissional, muitas vezes eu queria saber certas coisas mais cedo do que soube. Eu gostaria que alguém tivesse me dito o que era importante e em que eu precisava prestar atenção. Acho que se eu tivesse tido acesso a isso, provavelmente teria ignorado o conselho (porque é isso que jovens idiotas sabichões fazem), mas queria ter tido a oportunidade mesmo assim.

Enfim, aqui estão alguns dos pensamentos que eu gostaria de compartilhar com desenvolvedores em formação:

Tenha medo da obsolescência

Aqui está uma super generalização: aprender tecnologia em um ambiente universitário pode lhe dar uma falsa sensação de permanência.

Tecnologia e mudança caminham juntos como arroz e feijão. Quando me formei na faculdade, o cenário da tecnologia era um pouco diferente do que é hoje. Java era uma piada, JavaScript era uma piada maior ainda, Ruby era usado apenas por um alguns japoneses, e a plataforma. NET não existia.

E não foram apenas as linguagens ou as plataformas que mudaram. Problemas tecnológicos mudaram também. Naquela época, poucos estavam preocupados com "Big Data" e "escalabilidade massiva". "Mobile" significava pager e "Cloud" significava uma coisa grande e fofa no céu.

Em outras palavras, eu tive que aprender um monte de coisas novas depois de me formar e você terá que fazer isso também. Se não fizer, você estará cometendo suicídio profissional. Porque simplesmente não importa o quão legal uma tecnologia é hoje, ela não vai durar para sempre.

Escreva código sustentável

Aqui está outra generalização: pessoas no meio acadêmico não precisam viver com o código que eles escrevem.

Isso foi, certamente, verdadeiro para a maioria dos meus professores. Lembro-me de um caso em particular. Um dia na sala de aula, um professor escreveu um muito longo e complicado for loop na lousa. O loop era peculiar, pois não possuía um corpo. Tudo o que tinha era a variável do contador, a condição de iteração, e o limite.

Após ter feito com que olhássemos para ele por um tempo, ele alegremente explicou que esse loop reverteu uma lista linkada. Isso mesmo, toda a lógica necessária para atravessar e inverter uma lista linkada foi habilmente incorporada na condição de loop.

Desnecessário dizer que esse código era tão compreensível como era depurável: nenhum pouco. No entanto, nosso professor não foi minimamente incomodado por qualquer uma dessas realidades. Pelo contrário, ele estava orgulhoso de sua esperteza.

Para piorar as coisas, esse episódio teve um impacto muito negativo sobre o meu estilo de codificação, embora não tenha percebido isso na época. Fiquei tentando escrever código "inteligente" (não importa o quão obtuso), porque era o que eu julgava ser importante.

Quando você não precisa viver com o código que você escreve, torná-lo sustentável não é uma grande preocupação. Por outro lado, como um engenheiro, tudo o que você faz é corrigir e melhorar o mesmo código base. Portanto, a manutenção importa muito mais do que qualquer outra coisa: habilidade, desempenho etc.

iMasters

Uma carta aberta aos novos profissionais de SEO

Caros novos profissionais de SEO,

Seja por sorte ou por um bom planejamento, vocês já entraram no mercado em um momento em que a área está crescendo e praticamente todas as empresas decentes estão à procura de talentos. Então, vocês podem estar se perguntando por que eles não contratam vocês.

Faça primeiro, fale depois

Vocês estão fazendo isso na ordem errada. Vocês precisam ler isso. Antes de abrir a boca para se gabar sobre como você é ótimo, prove. Sim, há pessoas arrogantes em SEO, e, sim, algumas delas ganham muito dinheiro, mas você não é uma delas, pelo menos não ainda. Sua postura pode te render alguns fãs no Twitter, mas a não ser que você esteja direcionando sua carreira para o cinema, fãs não vão pagar suas contas.

No entanto, não se trata apenas de arrogância. As pessoas não querem ouvir sobre o que você poderia fazer com tempo suficiente, dinheiro e feijões mágicos. Eles querem ouvir sobre o que vocês fizeram, ou, pelo menos, o que estão fazendo. Se quiserem que pessoas se interessem naquilo que fazem, então, façam algo interessante!

Construa algo (qualquer coisa)

Quando ouvir "faça algo interessante", entenda "criar algo". Poderia ser um super artigo, como o que David Mihm faz anualmente, "Local Search Ranking Factors". Ou poderia ser uma ferramenta, como a Local Citation Finder, de Darren Shaw. Esses são apenas dois de dezenas de exemplos que impulsionaram um recém-chegado ao estrelato do SEO.

O fato é que construir algo não só mostra que vocês possuem habilidades, mas também que se comunicam em seu meio. Todos nós queremos ser tudo para todas as pessoas quando estamos começando, afinal estamos com medo de fecharmos qualquer porta.

O problema é que ser um generalista é horrível para o seu marketing. Se alguém perguntar o que você faz e sua resposta for "qualquer coisa que for pago para fazer", prepare-se para não ser pago. As pessoas querem o "cara WordPress" ou "cara link-building". Encontre o seu nicho, uma vez que seu pé estiver na porta, então você poderá chutá-la e abrir bem.

Pare de se comparar

O cérebro humano é engraçado. Há dias em que você pode ser arrogante e duvidar de si mesmo, tudo na mesma meia hora. Há uma área onde a internet é especialmente terrível: ela te expõe cada dia a centenas de pessoas que são melhores em tudo que vocês. Superem isso. Vocês não têm que ser o número um, ou mesmo o número 10.001 em algo. Escolha alguma coisa e faça-a até que vocês melhorem. Esse é o segredo para tudo. Querem se tornar um especialista link-builder? Parem de assistir a vídeos de gatos e construam alguns malditos links.

Abocanhar 20% a mais

Vocês não irão crescer a não ser que forcem seus limites. As pessoas dizem isso o tempo todo, então, sempre peguem 20% a mais do que acham que conseguem fazer. Este é o ponto onde vocês se obrigam a continuar aprendendo, mas ainda podem cumprir suas promessas. Se vocês só fazem o que já fizeram, sempre terão pequenos projetos e resultados igualmente pequenos. Não mintam sobre suas capacidades, mas forcem a sua zona de conforto em todas as oportunidades que tiverem.

Trabalhe mais sábia e seriamente

Como técnicos, estamos naturalmente obcecados com a construção de uma estratégia melhor. Isso é ótimo e há sempre espaço para trabalhar mais sabiamente, mas também há uma linha tênue entre a eficiência e a preguiça. Cedo ou tarde, vocês precisam parar de procurar atalhos e aplicativos do iPad e começar a fazer o trabalho. Aprendizagem o suficiente para se intitular um especialista leva centenas, talvez milhares, de horas, e construir um negócio online é um trabalho de tempo integral. Se quiserem entrar no jogo, vão em frente. Se quiserem ganhar a vida, então, comecem a trabalhar.

Diga às pessoas o que você faz

Diga às pessoas que tipo de trabalho que querem fazer, em detalhes. Se vocês estão procurando um emprego de período integral, digam explicitamente. Oportunidades não caem do céu só porque vocês estão abertos a elas.

Então, chegue lá, encontre o que te anima, gaste tempo, force os seus limites, crie algo e, em seguida, compartilhe essa emoção. Faça isso e colherá todos os frutos de uma indústria crescente.

iMasters

JavaScript e linguagens de pré-compilação

Eu sei que JavaScript não é uma linguagem que vai agradar a todo mundo, mas é a linguagem que roda nativamente em qualquer navegador com uma performance que não deixa nada a desejar. O que poderiam reclamar do JavaScript seria no máximo a sintaxe. Particularmente é questão de gosto.

Problemas? Todas as linguagens têm. Porém, como todas que têm uma boa comunidade ativa, ganham melhorias e novas características bem interessantes, assim como as APIs do HTML5 que já estão por aí e o ECMAScript 6 que vai trazer ótimas novidades.

Mesmo considerando toda a questão de gostos pessoais – e respeito muito isso – ainda acho que não podemos fugir da busca pela qualidade para atender uma vontade individual.

Ou seja, assim como para fazermos o melhor não deixamos de escrever em Java para apps de Android, em Objective-C para apps de iPhone, em Ruby para apps em Rails, utilizar qualquer outra pré-linguagem que compile para JavaScript para execução em navegador é algo que não parece ser a melhor opção.

A melhor linguagem que pode ser compilada para JavaScript é o próprio JavaScript. Tenho certeza das minhas interações pelo código e da qualidade do mesmo, assim como posso encontrar outro profissional bom na linguagem para entender o que está acontecendo. Estaríamos falando da mesma linguagem e a qualidade no código seria um facilitador para essa colaboração.

Outro ponto que acredito ser crucial: não somos únicos. Quando um programador sai da empresa, morre ou esteja em qualquer situação em que não escreva mais o código de determinada aplicação ele simplesmente não leva o código junto com ele, a menos que aquilo seja intencional.

O legado de um código é ensinar para uma pessoa nova aquilo o que está acontecendo. Se eu preciso de um novo profissional quando tenho um aplicativo em CoffeScript, qual linguagem eu devo exigir dele? CoffeScript, Javascript ou as duas?

O dia que encontrar um profissional que saiba apenas CoffeScript, vou acreditar que ele é totalmente incompleto e que teria o mesmo nível de quem somente aprendeu pseudo-código, sem me importar com o tempo que ele possui de experiência.

Como ele vai entender a real situação do meu aplicativo e todos os pontos que poderíamos melhorar? Como ele vai saber se tem ali um JavaScript bem escrito e funcional?

Em outras palavras, usar linguagens de pré-compilação me parece um verdadeiro "eXtreme Go Horse", do tipo que se funcionar, tudo bem, não se importando com o que estiver no meio do caminho.

iMasters

Eike Batista dá dicas para quem quer abrir o seu próprio negócio

O empresário explica como multiplicou a fortuna e se tornou o oitavo homem mais rico do mundo.

Na vida dos mega ricos não existe engarrafamento, fila, nem aeroporto lotado, nem voo atrasado. No escritório, uma parede rabiscada com projetos para multiplicar a fortuna.

Eike Fuhrken Batista, o homem mais rico do Brasil, tem R$ 50 bilhões. Dez zeros antes da vírgula. Você ficou impressionado com aquele carrinho de supermercado cheio de dinheiro apreendido do jogo do bicho no mês passado no Rio? Pois o dinheiro de Eike Batista daria 13 mil carrinhos daqueles - que enfileirados, coladinhos, iriam de um lado ao outro da ponte Rio-Niterói.

São necessários tantos bilhões para ser feliz? "Essas coisas já transcenderam. Não é isso. Eu me considero um criador de riqueza como um compositor compõe uma música. As minhas notas por acaso são dinheiro", explica Eike. A sinfonia da multiplicação começou cedo - e seu símbolo, o "x", sinal de "vezes", está nos nomes de todas as empresas .

Nos anos 70, o garoto rico não se acanhou de vender seguros de porta em porta na Alemanha, onde fazia faculdade de engenharia. "É uma febre, você pega uma febre de querer continuar nessa independência financeira".

E a faculdade na Europa foi trocada pela selva brasileira, em busca de ouro. "Eu tive muita sorte, porque em um ano e meio, eu cheguei a comprar US$ 60 milhões em ouro e fiquei com a margem líquida de US$ 6 milhões. Então, com 23 anos. Nada mal", brinca Eike. Jovem, milionário e ainda ambicioso.

Veja a definição de Eike Batista do significa empreender: "Empreender nada mais é do que identificar ineficiências, falta de qualidade de produtos e fazer algo melhor. E melhor de tudo é fazer algo melhor e mais barato. Se você conseguir combinar essas duas coisas, você vai ganhar muito dinheiro".

O empreendedor Eike investiu em pesquisa para saber o potencial de um garimpo e depois mecanizou a produção. "Agora, eu, obviamente, subestimei logística, logística na Amazônia, doenças, malária, gente mesmo. Você botar um negócio que nunca tinha sido feito antes. A mina era tão rica, que ela aguentou todos os meus desaforos. E aí tem um aprendizado. Quer dizer, encare negócios para empreender que tenham gordura, margens altas, margens de lucro potencial altas", explica Eike.

O aprendizado com a mina foi o primeiro passo para uma visão de negócios que Eike Batista chama de 360° - e que está detalhada em um livro escrito em parceria com o jornalista Roberto D'Ávila. A ideia é que todos os aspectos do negócio precisam ser levados em conta antes de começar um empreendimento. Daí os 360°. "Eu sempre fui buscar o máximo de conhecimento possível para errar menos", explica.

Embarcamos no jato privado de Eike – e depois no helicóptero particular – para ver um projeto que para ele exemplifica o conceito. "Nós estamos construindo o maior estaleiro das Américas no Rio", conta. Além do estaleiro, Eike constrói um parque industrial e o maior porto do país no norte do estado. Tudo vai dar uns US$ 40 bilhões. A área das obras é tão grande que precisamos visitar de ônibus.

"Dentro do complexo, nós teremos 160 km de estradas pavimentadas", anuncia Eike. Já em janeiro, ele garante que sua empresa vai produzir os primeiro barris de petróleo de uma companhia privada brasileira. E no segundo semestre, grandes navios devem começar a atracar no pier, que avança 3 quilômetros mar adentro.

Nem todo mundo aprecia esse gosto pela grandiosidade. Os ambientalistas, por exemplo, o acusam de ter incentivado o uso no Brasil, como fonte de energia, do carvão: o grande vilão do aquecimento global.

Alguns empresários também dizem que seus negócios são de altíssimo risco. A maior parte do dinheiro foi levantada na bolsa de valores. Ele diz que os investidores confiam nele por seu passado. "A minha história não é a história só dos últimos dez anos. É uma história de 30 anos. Até o ano 2000, eu era conhecido como o marido da Luma de Oliveira. E não pelas nove minas que eu criei do zero. Minas de ouro gigantescas, muita riqueza criada. Eu apareci como se tivesse caído do céu", explica.

A história do casamento com a modelo Luma de Oliveira durou 13 anos. Ao lado dela, no mundo das celebridades, Eike sempre posava como coadjuvante. Do casamento, ficaram dois filhos. No escritório, fotos da família e evidências de que ele não dispensa uma ajuda do além. Só se senta de frente para a porta. De amuletos, tem dois guerreiros incas - do império do ouro - e um elefante indiano.

A superstição se estende ao 63 - número da lancha com a qual bateu o recorde mundial de velocidade. E a partir de então, o número da sorte do bilionário Eike Batista, que se admite competitivo: "Eu diria que aceito quase qualquer desafio". Principalmente no mundo dos negócios.

Quais são as principais dicas para quem quer ser um empreendedor?

Você tem que ter disciplina, uma boa ideia e, depois da boa ideia, elaborar um plano de negócios muito detalhado.

Mas e quem não tem uma boa idéia? Pode ser empreendedor?

Pode. Eu falo muito sobre isso, é estudar a possibilidade de uma franquia. O iniciante deveria começar por aí. E daí vai ver que a pessoa vai criando novas ideias. Depois que você começa a tocar uma lojinha, seja do que for, você tem aquele aprendizado do dia a dia, que vale muito.

Outra dica do administrador Eike é delegar funções e cobrar resultados.

Eu não tenho o mínimo problema de delegar. Agora, cobro muito. É fácil você cobrar. Eu gosto muito de checar, então isso obriga todo mundo a ser transparente.

Você faz de seus executivos sócios, com ações do grupo. E incentiva a distribuição de lucros para empregados. Isso vale também para os pequenos empresários?

Claro. Até o dono da padaria deveria pegar uns 20% lá e distribuir para os funcionários. Faz um efeito inacreditável.

E se precisar de um sócio?

Sócios você tem que eventualmente buscar aquela pessoa para te complementar, algo que você não sabe fazer. Agora, a busca desse sócio eu diria que está ligada à sorte na vida. Como casamento, não é eterno.

Seu objetivo é em bilhões, em obras. Onde é que Eike Batista quer chegar?

O objetivo é ser respeitado. Ter respeito. Da pessoa mais graduada do meu país até o mais humilde.

Respeito que ele tenta conquistar com projetos pelo Rio de Janeiro, como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas e doação de dinheiro para a pacificação das favelas.

Nós estamos contribuindo com R$ 20 milhões por ano nos próximos quatro anos para fazer tudo acontecer.

Qual é a sua maior vaidade?

Ah, eu gosto de cuidar de mim, normal. Isso começa com saúde e também aparência.

O senhor já fez plástica?

Sim, fiz a pálpebra, fiz implante de cabelo. É sofrido, dolorido, viu? Espero que em breve cheguem células-tronco para não ser tão dolorido. Eu não recomendo.

Eike já é o oitavo homem mais rico do mundo, segundo a prestigiada revista americana Forbes. E já estabeleceu prazo para ser o primeiro: "2015, 2016". Tão rápido? "Você acha rápido? É muito tempo".

Fantástico

A pior profissão do mundo

Quando eu trabalhava na Índia e era responsável pelo marketing do Butão, Nepal, Bangladesh, Maldivas e Sri Lanka (além da Índia), recebi um ranking das melhores cidades do mundo para viver (Mercer’s 2010 Quality of Living Survey).

A cidade de Daca, capital de Bangladesh, aparecia no último lugar da lista. Logo, Daca é a pior cidade do mundo para viver.

Se você já foi à Daca, pode confirmar ou não este título.

A qualquer hora do dia, você levará 3 horas pra percorrer os 15 quilômetros que separam o aeroporto do centro. O ar é irrespirável o ano todo. No verão, chega a faltar eletricidade por 12 horas vário dias seguidos.

Há algumas semanas, um outro ranking (elaborado pela CareerBliss.com) foi publicado pela CNBC: as 10 profissões mais odiadas.

Diretores de Marketing têm a segunda profissão mais odiada do mundo (segundo eles – ou nós - mesmos). Só perdemos para os profissionais da área de tecnologia.

Mas por quê uma profissão tão glamorosa e que paga tão bem (sem contar os eventos, prêmios, etc.) é tão mal vista ?

As razões principais são a falta de direcionamento dos líderes das empresas e poucas oportunidades de crescimento. Isto faz com que muitos profissionais vejam o Marketing como uma área burocrática e sem valor. Deprimente.

Não sei quem foi entrevistado nesta pesquisa, mas não concordo nem um pouco com o resultado. Marketing continua sendo o coração de qualquer empresa séria e o principal responsável pelo seu sucesso.

Se na sua empresa isso não é bem assim, sugiro que você desista dela antes de desistir do Marketing.

Ricardo Fort, diretor global de marcas da Danone Paris.

Apagão da mão-de-obra em TI: A culpa é de quem?

Onde está o meu emprego, com tanta demanda de mão-de-obra especializada em tecnologia da informação? Realmente, essa questão faz parte do cotidiano de muitos profissionais disponíveis no mercado. O Brasil vive um "apagão" de mão de obra especializada em TI para dar conta da demanda interna, e a situação tende a se agravar com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, em 2014 e 2016, respectivamente.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, até o ano de 2014 teremos um déficit de 800 mil vagas no setor. Estima-se que hoje estão disponíveis no mercado 92 mil vagas de tecnologia da informação. No entanto, é fácil encontrar profissionais formados desempregados, ou trabalhando em áreas completamente distintas da de formação. Pior, apenas 15% dos alunos que iniciam cursos de tecnologia da informação terminam suas graduações.

Todo esse cenário vai na contramão do crescimento brasileiro em TI. Segundo o IDC, o Brasil deverá crescer 13% na área de Tecnologia da Informação em 2011, superando taxas como Estados Unidos e Canadá. Nem mesmo os incentivos fiscais sobre a folha de pagamento das empresas de tecnologia da informação, recentemente anunciados pelo Governo, atenuaram ou minimizaram esse cenário.

A culpa é de quem?

Evidentemente, estamos vivenciando um gargalo educacional. Faculdades e mais faculdades de TI, despreparadas e com professores sem qualquer especialização, estão despejando profissionais e formando-os em conteúdos que há muitos anos não são mais necessários para as empresas. Resultado: baixíssima qualificação. E o que isso gera? Altos salários para o mais qualificados, que estão voltando do exterior para assumirem cargos de TI no Brasil. Vaga que poderia ser a sua.

Apreendemos hoje um a notória obsolescência de parte do conteúdo programático de muitas faculdades de tecnologia do Brasil. Sem programas de incentivo, de qualificação, inovação tecnológica, ou parceria com empresas de TI, profissionais são despejados no mercado e não despertam o interesse das empresas. As certificações passam a ter maior relevância do que a formação universitária e demandam investimentos que muitos jovens não têm como custear, algo que poderia ser parcialmente subsidiado pelo Governo.

Grandes empresas de software e integração são muito tímidas para abrir seus programas educacionais para universidades, esbarrando sempre em análises de risco pouco lúcidas, fazendo com que "pouquíssimos" tenham acesso a tais programas, ferramentas e conhecimentos.

Não bastasse a péssima estrutura de empresas de recrutamento e seleção para atuarem na área de TI, também emperram as contratações. Sem conhecer a fundo o core business de seus clientes, "inventam" exigências mais do que inatingíveis, além de absolutamente desnecessárias para os cargos disponíveis. A TI só precisa suportar o negócio, não fazer "milagres".

Não podemos deixar de consignar uma parcela de culpa aos empreendedores, que atuam com internet, tecnologia e mundo globalizado, mas ainda mantêm, e até mesmo preferem, meios ortodoxos de trabalho, evitando novas possibilidades. As empresas buscam profissionais que residam apenas nas capitais – de preferência próximo à empresa, esquecendo-se de que o teletrabalho é uma realidade, e que grandes multinacionais já mantêm equipes de service desk em TI espalhadas pelo Globo. Buscam profissionais na mesma fonte, e essa fonte está seca!

Vivemos a interiorização do desenvolvimento tecnológico. A China já despertou para esse fato. Regiões ricas como o interior de São Paulo possuem infraestrtura, ótimas universidades, excelentes profissionais, qualidade de vida, incentivos fiscais e custos e mão-de-obra em TI mais baratos do que na capital. O empreendedor precisa pensar em "crescer para dentro"! Muitas são as empresas que já criam centros de tecnologia no interior e atendem todo o Brasil e exterior a partir dessas localidades. As universidades interioranas também são mais suscetíveis às parcerias que formem profissionais "com a mentalidade" das empresas de TI que demandam serviços.

O resultado é o desenvolvimento regional, a sustentabilidade, a redução das desigualdades sociais, a distribuição de riquezas, os menores custos de implantação e operação e mais pessoas na folha de pagamento. A lei é simples: se a procura está alta nas capitais, por que não buscar vagas em regiões nas quais a oferta é alta, como no interior? A internet rompe qualquer barreira e faz com que profissionais a 300 quilômetros de distância tenham o mesmo rendimento de um alocado na sede da empresa.

Mas você pode estar pensando que contratar a mão-de-obra do interior nem sempre significa resolver definitivamente o problema da falta de qualificação. Realmente, o problema da falta de qualificação é nacional, e para isso só existe um remédio: qualificar-se! O que o coordenador do seu curso tem feito para isso? O conteúdo do seu curso está adequado à realidade lá de fora? Quais as parcerias para integração universidade-mercado existentes em sua faculdade? Você já leu o programa de todo o seu curso? Você sabe que ele existe? Você pode, com vontade, construir o seu curso de modo que mais espelhe as necessidades do mercado, e isso é fundamental, a menos que você tenha dinheiro para trocar de faculdade ou tirar certificações caríssimas.

Mudar esse cenário de carência de mão-de-obra é uma tarefa possível, mas dependerá de ação coordenada das universidades, das empresas de recrutamento, dos empreendedores, dos universitários e dos profissionais no mercado. Do contrário, continuaremos importando mão-de-obra. O Brasil só tem a perder com isso.

iMasters

O preço da dignidade

Um dos primeiros clientes da pequena agência que montei com uma amiga, a Mutirão de Profissionais de Propaganda, foi a Ática, a maior editora de livros didáticos do país, para quem fizemos anúncios memoráveis.

Foi uma relação de muito respeito, amor e confiança, mas como, no aspecto comercial, não há amor que dure sempre, a editora foi vendida, e então, o célebre “agora sob nova direção” parou tudo. Nunca mais se viu um anúncio com a sua marca.

Em compensação, nossa experiência com esse tipo de cliente fez com que outra editora, sabendo que já não estávamos com a grande concorrente, nos procurasse para entregar sua conta. Foi uma negociação dificílima: havia um diretor que não conversava em outros termos que não fossem: finanças, custos, descontos etc., etc. Era reunião pra lá, reunião pra cá e nada se definia, porque o homem achava que não deviam pagar criação e com muito favor, aceitariam trabalhar conosco se baixássemos nossos honorários de veiculação em 50%, ou mais. É claro que não topamos, e nem toparíamos: pela falta de ética, pela falta de vergonha, por respeito ao nosso ofício e finalmente, porque foram eles que “encostaram o umbigo em nosso balcão” e não nós no deles.

Acho que pelo fato de nos terem procurado, somente por isso, o homem resolveu aceitar nossas condições e nos encaminhou para o setor de vendas que também respondia pela propaganda, e como primeiro trabalho, nos passaram uma urgente lição de casa: um anúncio em homenagem aos escritores no “Dia do Escritor”. Um briefing simples e lacônico: “é preciso valorizar o Escritor, porque é daí que vem o nosso ganha pão”. Nós completamos com educação, cultura e saber.

Criamos um ótimo anúncio (modéstia à parte), cujo título era um trecho do poema “O livro e a América” de Castro Alves:

“Oh bendito o que semeia livros, livros a mancheias e manda o povo pensar...”

Brilhante ideia, porque semear livros a mancheias e fazer o povo pensar, além de ser um dever de cada um é o verdadeiro papel do escritor, dos livreiros e das editoras... Conscientes disso e com toda aquela empolgação de agência nova, fomos apresentar o trabalho para o pessoal de vendas. Eles vibraram com a peça, mas tiveram que chamar um diretor para ajudá-los a tomar a decisão e não deu outra. Quem veio? Aquele diretor que queria cortar nossos honorários. Era o homem do dinheiro e também da palavra final.

O que não sabíamos era que ali estava um racista daqueles de filme da Ku Klux Kan, antissemita e defensor intransigente do III Reich, do Santo Ofício, do Apartheid, anticomunista até a medula, era quem diria se a empresa faria ou não o anúncio.

Após nossa reapresentação, durante a qual ele não moveu um único músculo da dura face, puxou o texto de minha mão, dando uma lida bem superficial e, com uma expressão iradíssima e a voz rouca de ódio, sentenciou: “esse poeta de merda, proxeneta e comunista, dava o rabo para os negros e corria atrás das negras, por isso os defendia com tanta convicção...”. E mais: “Nossa empresa jamais assinará um anúncio como este, enquanto eu for vivo e diretor dela. Façam coisa melhor, se quiserem nossa conta”.

Nossa frustração foi grande. Só não foi maior, porque aproveitamos a oportunidade e descendo ao seu nível, mandamos que enfiasse sua editora no rabo, e nos despedimos em quase ritmo de Castro Alves:

“vossa senhoria, que com sua miopia, fala sobre o que não leu, fala sobre o que não viu, pois que poeta safado proxeneta e comunista é a PQP”

Vale lembrar que o homem era mulato claro, beirando a branco e, quisesse ele ou não, um ilegítimo descendente do povo negro a quem o grande poeta dedicou seu verbo, sua verve e sua vida.

Perdemos o cliente, mas mantivemos a dignidade.

Humberto Mendes
Vice-presidente executivo da Fenapro

CENP em Revista
Edição 27, p. 52

A diferença entre um cara que programa e um programador

O ato de escrever códigos faz com que você seja um cara que programa, mas não necessariamente um programador. Digamos que ambos cumprem o papel e resolvem o problema. E a diferença está na forma de pensar deles.

Existem diversas maneiras de se chegar a um mesmo resultado. Algumas mais claras, diretas, outras mais bonitas, elegantes, às vezes nebulosas, cheias de voltas e emaranhados, boas ou ruins. Apesar do peso de subjetividade que esses termos carregam.

Um bom código é aquele que, chega onde deve chegar, sendo este legível aos envolvidos, e aqueles que não sabem do que se trata.

* Bom em performance;
* Sem rotinas confusas ou desnecessárias(as famosas gorduras);
* Bem indentado e organizado.

Apenas isso. Simples e objetivo. Toda a comunidade, conhece ou deveria conhecer os conceitos que citei. (Keep It Simple, Faça o Simples que Funcione, Você não vai precisar disso, Don’t Repeat Yourself...)

“Um CQP [Cara Que Programa], não leva ou nem sempre leva em consideração estas ‘máximas’.” Já um VP [Verdadeiro Programador], possui esses conceitos incorporados a ele. Na forma de pensar, na maneira de codificar. Para um Programador, é natural, para o CQP, ainda não é.

Todos sofremos pressão, temos prazos apertados, e situações difíceis pra lidar... este é o nosso mundo. A agência ou a empresa, pode lhe dizer que é tranquilo, que são pacientes, que os prazos são legais, e tudo mais, porém, faz parte da arte de programar nos deparamos com algo urgente e impossível, para ontem!

Um programador resolve da melhor forma possível, enxergando na frente, o outro faz apenas para se ver livre, e entregar logo. O erro aqui, é que depois aquele monstrinho volta, e nem sempre podemos ou temos tempo de refazer ou corrigir. E quando surgem as cabeças dos nossos monstros. Duas, Três, Sete... a tendência é piorar. Começou errado, por preguiça, falta de conhecimento, mal planejamento, ego...

Um CQP, acha que sabe tudo, ou não se importa de não saber, e nem tenta. Um VP, tenta saber, sempre busca melhorar, aceita analisando as críticas recebidas, e gosta do que faz. Fazer bem feito lhe deixa feliz, o contrário lhe incomoda.

O melhor programador não é aquele que complica mais. Códigos de linguagens alto nível, devem ser escritos por humanos e para humanos. As máquinas entendem, tanto códigos bem escritos, quanto códigos ruins, mas e você no futuro? E o outro programador?

Acho que todos nós já demos continuidade no trabalho de alguém. Já vimos scripts porcos, e outros bem feitos. Quando alguém pegar um trabalho nosso, vamos tentar ser aquele que não será xingado, e nem fez o outro programador perder horas e horas, entendendo as loucuras que fizemos.

Faça-se essa pergunta. O que você é? Qual dos dois?

iMasters

A regulamentação da profissão será uma pá de cal no setor de TI

Quantas vezes já não ouvimos a expressão “em time que está ganhando não se mexe”? E, ainda mais em time que está em vasta expansão, como o mercado brasileiro de tecnologia da informação.

O Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 607/2007, que visa regulamentar a profissão de analista de sistemas, gerando a obrigatoriedade do diploma para exercer as funções no setor, nada contra a corrente de uma necessidade que a área de TI possui de cativar novos profissionais entrantes para o segmento.

Atualmente, o setor vive um completo paradoxo: enquanto os grandes debates apontam um futuro crescente e brilhante, ao mesmo tempo clama por profissionais, que chega a um déficit representado por dezenas de milhares de posições de trabalho em aberto. Ou seja, enquanto deveria se criar incentivos para solucionar esse problema de mão-de-obra, garantindo a continuidade da expansão do mercado, esse projeto de Lei, se aprovado, pode vir a desacelerar o crescimento, proporcionando uma série de exigências que travariam o funcionamento do setor.

Ao olharmos para trás, e considerarmos os fatores que pregam a PLS 607/07 como válidos, grandes empresas não teriam sido concebidas, ou então, ao menos, teriam tido o sucesso de certa forma atrasado, como as clássicas e históricas criações do Facebook e da Microsoft - esta desenvolvida por Bill Gates quanto tinha apenas 19 anos, e nenhum diploma universitário.

Em tempos em que tratamos de gerações de profissionais que se caracterizam pelo dinamismo e pela versatilidade, a regulamentação do exercício de analista de sistemas viria para engessar e para criar amarras, enquadrando as empresas em leis arcaicas, inflexíveis, que venham a desestimular e a gerar atritos entre empresas e sindicatos.

Já o profissional que acredita que essa mudança virá para o bem, encontrará um excessivo enrijecimento e uma burocratização excessiva para exercer a atividade, causando a restrição da demanda, acarretando na redução do mercado e da mão-de-obra.

Em resumo, os próximos anos do setor de TI prometem algo importante: ou realizaremos todas as previsões otimistas, consolidando-nos como uma das principais vertentes da economia do país, ou seremos condenados a ser uma eterna promessa, cujo fracasso se deu por uma precipitada e obsoleta decisão legislativa.

iMasters

Ser perfeccionista vale a pena?

Ser perfeccionista. Até que ponto é viável e vantajoso? Quais as consequências diretas e indiretas deste tipo de postura? Vale a pena ser perfeccionista?

Essas são algumas das perguntas que devemos nos fazer, nós, responsáveis por algum projeto/iniciativa, antes de estourar o prazo de entrega, dimensionar o cronograma com muita barriga, ou realizar a tarefa em metade do tempo e com menos de um terço da qualidade mínima.

Vivemos em dias cruéis, oh, vida, oh, céus, oh, azar. Demandas crescentes acompanhadas de prazos sufocantes, e é claro que o resultado final deve atender a uma boa quantidade de padrões de qualidade.

É comum deparar-se com escolhas do tipo "reduza os requisitos funcionais a metade!" ou "esqueça os prazos, vamos fazer direito". "Eu já passei por isso!", você diz a si mesmo, recordando. E a pergunta: para que lado você foi?

Bom, aí vai o ponto de vista de um perfeccionista. Se você está do outro lado da gangorra, por favor, argumente.

Antes de tudo, alguns fatos:

- As pessoas, em geral, não sabem o que querem - que dirá o que precisam;

- Estamos na era da inovação constante, da imposição de novos estilos de vida (o digital);

- Uma solução, entenda hardware + software + serviço online, completa, do tipo que causa a reação "Seria ótimo se houvesse uma forma de filtrar isso... Puxa! Tá aqui!", é um diferencial.

OK, já temos munição.

O mercado com o qual concorremos diariamente está inchado de mediocridade. É muito fácil propor uma solução viável e prática, mas não há nada de especial nisso. Nenhuma iniciativa nesse nível lhe concederá reconhecimento verdadeiro.

Há duas formas de lidar com oportunidades, seja ela qual for: aproveitá-la de forma memorável, ou cedê-la para que outro aproveite. Se você acredita ter usufruído de uma oportunidade, mas não de maneira notável, veja bem, outra pessoa está enriquecendo em seu lugar.

Alguns exemplos concretos para ilustrar as idéias:

Google: esses caras não são reconhecidos por serem inovadores, mas sim por fazerem melhor o que os outros fazem bem. A proposta do Google é "apenas" gerir conteúdo de forma inteligente visando à experiência do usuário. Brilhante, não?

Apple: Jobs, certo? Sim. Ele é o guru da inovação, e mestre em proporcionar ao usuário final todo o prazer e a satisfação que ele precisa para ser feliz ao viver o estilo digital de ser. O Sr. Perfeccionismo é ponto de referência na maioria das discussões em que a criatividade está em pauta.

E o que raios isso quer dizer?

Na verdade, é fácil de concluir. Assumir um novo modus operandi, preocupado com o que de fato interessa, pode parecer inviável à primeira vista. Contudo, se a intenção é ser lembrado por feitos notáveis, causar algum impacto nesse planeta tão preto e branco torna-se necessário.

Não há argumentos, sejam eles financeiros, publicitários ou egoístas, que justifiquem produzir resultados pobres e comuns, quando se pode mudar o mundo.

Ser perfeccionista é uma opção dádiva que talvez afaste algumas pessoas de você. Mas, com o tempo, você verá que de fato é melhor mantê-las longe.

Viva a solução ótima!

iMasters

Contratando desenvolvedores: você está fazendo errado

Texto original em Inglês de Udo Schroeter disponível em http://devinterviews.pen.io

Quando Evan Carmi postou sua experiência em uma entrevista de emprego no Google (http://ecarmi.org/writing/google-internship) no HN, eu me lembrei dos meus dias iniciais. Em mais de uma década de entrevistas para empresas startups de TI, não fizemos nenhum progresso. Eu fui parte do problema por alguns anos. Eu simplesmente copiava um mecanismo de contratação que parecia padrão na época e, ao fazer isso, falhei miseravelmente no que dizia respeito ao principal objetivo que uma empresa deve ter ao contratar desenvolvedores. Hoje, as primeiras páginas de tecnologia estão cheias de esforços de Larry Page para transformar a empresa, mas acredito que os problemas de performance em empresas focadas em desenvolvimento podem estar atrelados a seu DNA devido a um processo falho de contratação.

Como nós fazíamos

Meu co-fundador e eu estávamos administrando uma pequena loja de desenvolvimento web na Alemanha. Começamos literalmente do porão da casa de nosso amigo. Com o tempo crescemos, e nos mudamos para um escritório de verdade. No início foi fácil encontrar novos colaboradores, nós podíamos apenas pedir para nossos amigos virem trabalhar para nós. Claro que esse modelo não funcionava em grande escala, mas ele fazia uma determinada função muito bem: garantia que contratássemos pessoas que eram boas para a empresa, tanto no sentindo pessoal quanto no profissional. Até que chegou o dia em que tivemos que preencher posições para as quais precisávamos trazer pessoas de fora.

Uma das características do serviço regional de desemprego na Alemanha é que eles te enviam uma pilha enorme de CVs, poucas horas depois de você ter falado com eles no telefone. Eu fiquei felizmente surpreso que não tivemos que contratar uma agência para fazer isso. Juntamente com os CVs que já havíamos recebido de pessoas que se inscreveram para a posição através de nosso site, agora tínhamos que fazer uma triagem. No final das contas, concordamos sobre 12 os melhores e os convidamos para uma entrevista. Essa é a parte em que tudo deu errado.

A entrevista padrão para desenvolvedores

Um candidato chegaria, normalmente usando seu melhor terno e sua melhor gravata, e nós sentaríamos para ter uma conversa. Essa conversa era algo essencialmente parecido com um exame oral de faculdade. Eu pediria a ele para codificar algoritmos para todos os problemas de CS bonitinhos, e obteria respostas com vários níveis de qualidade. Alguns deles atiravam suas respostas prontas em uma velocidade absurda. Eles estavam preparados exatamente para aquele tipo de entrevista. Outros se renderiam à pressão, quase incapazes de conseguir terminar a entrevista.

Para ser sincero, quando começamos a fazer isso, eu tinha que dar uma olhada nesses quebra-cabeças antes, principalmente para garantir que eu não passaria vergonha. Este deveria ter sido o primeiro sinal de que talvez não estivéssemos testando as habilidades mais relevantes para nossos requisitos. Se essas dúvidas passaram pela minha cabeça, eu deveria tê-las deixado de lado rapidamente. Afinal de contas, era a maneira como todo mundo fazia entrevistas.

Claro que optamos por contratar o funcionário com as respostas mais inteligentes. Inevitavelmente, outras posições se tornaram disponíveis, e nós repetimos o processo inúmeras vezes, por todo o tempo de vida da empresa. Se isso soa familiar para você, certamente você não está sozinho.

Performance real de trabalho

Mas como medimos o trabalho dos candidatos que selecionamos? A verdade é que tivemos resultados bastante variados. Muitos deles estavam dentro da média, muito poucos eram excelentes e alguns eram simplesmente horríveis em suas posições. Portanto, a entrevista não tinha nenhum efeito real sobre a qualidade das pessoas que estávamos selecionando, e receio que esse processo pode ser sido mais favorável à seleção de pessoas ruins.

O que de bom e de ruim isso significa nesse contexto? Vamos dar uma olhada em alguns benchmarks que considero importantes:

Cultura da Organização: Olhando para trás, uma das qualidades mais importantes que um novo funcionário deve ter é compatibilidade com o espírito das pessoas que já trabalham na empresa. A entrevista padrão teve o pior desempenho nesse quesito, por razões óbvias. É difícil julgar a personalidade das pessoas em entrevistas, porque elas não são exatamente elas mesmas naquele momento. Na verdade, são incentivadas a não serem elas mesmas.

Competência em Programação: De alguma maneira, contrariando minha intuição, os exemplos de códigos feitos durante a entrevista foram um indicador ruim da real competência no trabalho. Projetos do mundo real raramente consistem em implementar buscar binárias sem acesso a um analisador ou literatura. O que aconteceu foi que os empregados que se deram melhor nos exemplos de código nem sempre eram capazes de trazer seu conhecimento teórico para soluções práticas. Ter candidatos escrevendo algoritmos sortidos no whiteboard é um método que beneficia pessoas com ótima memória a curto prazo, que vêm preparadas exatamente para esses tipos de perguntas. No nosso caso, precisávamos de codificadores engenhosos, que escrevessem softwares organizados, estáveis e elegantes – e o processo de entrevista não estava os selecionando.

Gerenciamento de Projetos: Pessoas que foram bem na entrevista não são, necessariamente, bons colegas de equipe ou até bons apresentadores perante os clientes. Esse resultado foi surpreendente para mim. Acontece que aguentar uma entrevista por uma hora é uma habilidade completamente diferente de, digamos, ser bom em coordenar seus colegas de trabalho ou a pessoa que paga suas contas. A performance da entrevista também não indicava a habilidade de escrever uma boa documentação, ou como se comportar em comunicações online.
O resultado

O resultado de um processo seletivo como esse pode ser um dos fatores responsáveis pela perda do espírito de startup da empresa e sua alma criativa. Esse foi, definitivamente, o caso da nossa empresa. Como CEO, a maior falha foi certamente minha. No entanto, ter as pessoas erradas para o trabalho foi em grande parte a causa da incapacidade da empresa de entregar a quantidade e a qualidade necessárias para se sustentar. As brigas internas envenenaram nossos times. A incompetência era mascarada com boas capacidades de apresentação e puxação de saco. Boas pessoas deixaram a empresa porque elas odiavam essa nova atmosfera.

Apesar de eu ter dispensado várias pessoas por razões distintas ao longo dos anos, no final das contas, eu tive que fazer o discurso mais difícil da minha vida na manhã em que dissolvi a empresa.

Claro que esse é um exemplo extremo. A maioria das empresas prospera, apesar disso tudo. Mas eu ainda acredito que podemos melhorar muito as chances de encontrar os candidatos certos, ao mudar radicalmente a maneira como fazemos entrevistas. E, no nosso caso, isso provavelmente teria feito toda a diferença do mundo.
Uma alternativa

Como seria, então, uma entrevista para desenvolvedores? Simples: elimine a parte dos exames completamente da entrevista. Em vez disso, pergunte questões em aberto, que convidem seus candidatos a elaborar sobre seu trabalho de programação.

Qual foi o último projeto no qual você trabalhou no seu último emprego?

Me conte sobre seus projetos preferidos.

Em que projetos você está trabalhando no seu tempo livre?

De quais comunidades online hackers você participa?

Me conte sobre alguns pontos (técnicos/de programação) pelos quais você se sente entusiasmado.

Essas questões foram formuladas para revelar bastante sobre a pessoa que você tem na sua frente. Elas podem te ajudar a decidir se o candidato está interessado nas mesmas coisas que você, se você gosta do seu jeito de pensar e onde seus interesses reais estão. É mais difícil para eles conseguirem a vaga na malandragem, porque o entrevistador pode investigar questões mais profundas à medida que eles vão se apresentando.

Mas e a habilidade de codificação? Bom, pegue alguns minutos após a entrevista para dar uma olhada em alguns códigos que o candidato escreveu. Talvez para um projeto open source, talvez eles tenham que te enviar algo que não é publico, não importa. Olhar para a produção real do código pode te falar muito mais do que as linhas artificiais escritas no whiteboard.

Tenho certeza de que você pode criar outras questões e outras maneiras de engajar o entrevistado. Nesse ponto, qualquer ideia já indicaria uma melhora.

Ditados

A maioria das pessoas é rápida ao defender seu status quo, e com certeza essa é uma posição gratificante de se segurar. É livre de riscos e você sempre pode recorrer ao argumento “muitas pessoas inteligentes, ricas e bem sucedidas fazem as coisas do jeito antigo, então meu dinheiro está no que eles estiverem fazendo”.

"Legal, mas isso não funciona pra empresas grandes de sucesso. Sua idéia não é escalável."

Claro que é escalável. Em termos de esforço por entrevista não é diferente. Não existe razão por que isso não deveria funcionar em empresas grandes. No final das contas, o entrevistado sempre toma uma decisão pessoal e subjetiva. Estou meramente sugerindo uma maneira que entregue informações mais relevantes para aquele objetivo.

"Os melhores programadores não executam projetos em seu tempo livre" ou: "As pessoas mais talentosas que conheço trabalham de 9 às 5 E então vão para casa assistir futebol/estar com suas famílias/ou qualquer outra coisa."

Essa não é minha experiência. Não estou dizendo que um bom programador não deveria ter uma vida. Mas eu acredito que uma certa quantidade de entusiasmo por programação é necessária. E, realmente, se você tem uma ótima habilidade, não usá-la parece um grande desperdício para mim.

"No meu tempo livre, estou trabalhando pelo próximo milhão da minha empresa. Oh, quando não estou trabalhando para minha empresa? Estou com minha família e amigos." (verbete de http://news.ycombinator.com/item?id=2385148)

isso é ótimo, essas pessoas podem de fato me mostrar algo em que elas estavam trabalhando. No entanto, eu consideraria a falta de hobbies um problema para alguns trabalhos de desenvolvimento.

Pensamentos finais

Na minha experiência, a entrevista tradicional para desenvolvedores é insuficiente para encontrar bons candidatos. Enquanto os exercícios típicos de whiteboard se relacionam de alguma maneira com a competência em CS, eles são um indicador limitado de performance real de programação.

Discordo do processo e acredito que temos feito as entrevistas dessa maneira por anos simplesmente porque assim elas são mais fáceis de administrar, mas os dados gerados por essas entrevistas são amplamente irrelevantes – para não falar outra coisa. Nós, como parte da indústria, deveríamos apresentar questões mais personalizadas nas entrevistas, completamente focadas nas habilidades do candidato. Também acredito que é mais produtivo julgar a produção de código em oposto a quebra-cabeças modulares abstratos que não têm conexão real com o trabalho em si.

Mais importante, estou convencido de que conhecer a personalidade real do desenvolvedor é tão importante quanto checar sua competência profissional, porque uma escolha errada pode destruiu o time inteiro.

iMasters

Problemas na educação causam falta de profissionais no setor tecnológico

Muitos alunos abandonam o curso porque não conseguem acompanhar matérias como matemática, lógica, química e física. Além disso, currículos escolares não acompanham a velocidade tecnológica, causando uma defasagem.

Um estudo realizado por empresas do setor de tecnologia mostrou os motivos da falta de profissionais em uma área em que haveria emprego para todo mundo. O problema está, mais uma vez, na educação: antes, durante e depois da universidade.

Os profissionais de tecnologia da informação, ou TI, são responsáveis pelo desenvolvimento e pela manutenção dos sistemas de computador das empresas. A carreira envolve cursos da área de informática, como ciências e engenharia da computação.

Um estudo da associação brasileira das empresas do setor mostra que 82% dos alunos de TI abandonam o curso. O estudante Jorge Rodrigues parou no primeiro ano: "Encontrei matérias, como matemática, lógica, programação, que são realmente matérias dificílimas", conta.

"A gente sente dificuldade do aluno acompanhar isso quando vem do Ensino Médio", explica Sandro Rigo, coordenador do curso de TI da Unicamp.

Mais de 80 mil estudantes concluem os cursos de educação em tecnologia no Brasil todos os anos, mas muitos não chegam ao mercado de trabalho.

"A tecnologia avança em uma velocidade grande e os currículos escolares não acompanham essa velocidade tecnológica", diz Sérgio Sgobbi, diretor da Associação de Empresas de TI.

Pelos cálculos do setor sobram 92 mil vagas nessa área em todo país, número que pode dobrar até 2013. Uma unidade de uma multinacional no interior de São Paulo perdeu contratos por falta de mão de obra qualificada. Os clientes foram atendidos por filiais da empresa em outros países, como a Índia por exemplo.

De cada 10 candidatos a uma vaga, apenas dois são aprovados. A maioria é eliminada no teste de idioma: a prova de inglês. "Você está aqui do Brasil prestando serviço pra qualquer parte do mundo. Então, a fluência no inglês é extremamente importante para você atender esse cliente", explica o gerente de parcerias educacionais Edson Luiz Pereira.

A empresa tem 250 vagas não preenchidas no país. Contrata recém-formados, dá treinamento e curso avançado de inglês, mas não consegue contratar.

Outra companhia busca trabalhadores no exterior, como André, que estava na Holanda: "Devido ao crescimento econômico do país, a remuneração do profissional de TI está equivalente a trabalhar em países da Europa, por exemplo", explica o consultor de inteligência de negócios, André Cesta.

A empresa também paga um bônus de R$ 400 para o funcionário que indicar um bom profissional. Para ganhar a recompensa, Taís trouxe a amiga Patrícia: "Eu estou pedindo para ela rachar comigo, meio a meio. Vamos ver", brinca Patrícia.

Jornal Nacional

Por que as faculdades de tecnologia deixaram de ser atraentes para os jovens?

No início dos anos 90, o curso de Ciência da Computação era um dos mais disputados nas universidades brasileiras. Nos últimos anos, no entanto, a situação se inverteu, com uma drástica redução no número de candidatos que disputam uma vaga nas faculdades relacionadas à tecnologia. O motivo? A falta de interesse dos jovens por seguir uma carreira nesse setor.

Uma das explicações para esse fato deve-se à própria disseminação do uso de recursos tecnológicos. "Os jovens que estão entrando no mercado de trabalho hoje já nasceram com acesso à internet e ao celular. Assim, eles acham que dominam a tecnologia e não enxergam tudo o que existe por trás para que as coisas funcionem", pontua Sérgio Sgobbi, diretor de Educação e Recursos Humanos da Brasscom (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação).

Da mesma forma, Roberto Mayer, vice-presidente de Relações Públicas da Assespro (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação), atribui o esvaziamento das universidades a uma falsa impressão dos estudantes de que não há muito mais o que fazer no setor. "O fato de estar numa Lan House, com um iPhone no bolso, cria uma sensação de intimidade com a tecnologia, mas é uma visão parcial", afirma.

Mayer lembra que quando olham apenas para o uso cotidiano da tecnologia, as pessoas esquecem de que existe uma sofisticação cada vez maior dos sistemas e dos recursos de TI utilizados pelas empresas. "O Bradesco e o Itaú empregam mais desenvolvedores do que Microsoft e Oracle, por exemplo", ressalta o especialista da Assespro. Ele lembra ainda que, por conta dessa demanda, atualmente, existem cerca de 120 mil vagas de trabalho abertas no setor que não são preenchidas por falta de mão-de-obra e, se a situação se mantiver, esse número pode chegar a 200 mil posições até 2013.

Não à toa, as entidades que representam a área de tecnologia preparam iniciativas específicas voltadas a estimular o interesse pela carreira no setor. A Assespro acaba de nomear um diretor-adjunto de Recursos Humanos para comandar um projeto voltado a criar materiais didáticos para escolas de ensino médio. O objetivo é que os professores utilizem essas informações para ensinar conceitos básicos de TI (tecnologia da informação) no colegial.

Outra ação da entidade é desenvolver uma cartilha para explicar o setor de tecnologia e todas as oportunidades, que "possa ser usado por qualquer pessoa interessada ou que queira fazer uma palestra", explica Mayer.

A Brasscom também desenvolveu ações para atrair jovens profissionais. Para isso, está firmando parcerias com entidades de ensino em todo o país para formação de técnicos na área de TI. Um dos primeiros resultados da iniciativa foi a criação de um curso de TI, em parceria com o Senai/SP.

Olhar Digital

Certificação vale mais do que faculdade para entrar no mercado

Qual o melhor caminho para entrar no mercado de TI? Ter uma ou várias certificações técnicas. Hoje, esse tipo de capacitação vale mais até do que um diploma universitário na hora de muitas companhias do setor de tecnologia contratarem um novo profissional, segundo Sérgio Sgobbi, diretor de Educação e Recursos Humanos da Brasscom (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação).

"Isso acontece porque as empresas são avaliadas por padrões internacionais, que exigem um certo número de profissionais certificados", justifica Sgobbi, que completa: "Assim, ter certificações pode ser um diferencial para entrar no mercado."

O diretor da Brasscom alerta, no entanto, que se ter um ou mais certificados garante a contratação, isso não representa uma garantia de evolução na carreira de TI. A formação universitária continua a ser um fator determinante para quem quer ter sucesso nesse mercado. Mais do que isso, os profissionais de tecnologia têm de estar dispostos a buscar um conhecimento e uma capacitação constantes para se manterem no setor.

As exigências de conhecimento específico em TI, por sinal, têm sido recompensadas com salários acima da média de outros setores da economia. Sgobbi cita que uma pesquisa de 2007 do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, apontava que, enquanto a remuneração média dos brasileiros era de R$ 938,00, no setor de tecnologia ela atingia R$ 2.025,00. "Se trouxermos esses valores para os dias de hoje, o valor deve saltar para cerca de R$ 3.000,00", calcula o executivo.

A valorização dos profissionais está ligada, entre outros fatores, ao déficit de pessoas qualificadas nesse mercado. Uma pesquisa da Softex projeta que, em 2011, existirão cerca de 92 mil vagas abertas no Brasil, em empresas de software e de serviços de tecnologia, que não serão preenchidas por falta de profissionais preparados para preenchê-las, e esse número só tende a aumentar.

Olhar Digital