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Sobre Luca Badoer

Diante do desempenho de Luca Badoer como piloto oficial, em Valência e Spa, na média, 2 segundos mais lento por volta que Kimi Raikkonen, muita gente não entendeu a escolha da equipe pelo seu piloto de provas.

Afinal, depois de todos os anos trabalhando juntos, será que a equipe não conhecia seu potencial? Como poderia ter contribuído no desenvolvimento dos carros com uma pilotagem tão longe do limite? Será que está lá apenas por ser italiano? Ou teria "perdido a mão" por não disputar uma corrida há muito tempo?

Luca foi campeão da Fórmula 3000, em 1992. Em 1993, estreou na Fórmula 1, pela Lola, passou pela Minardi, e terminou, como piloto oficial, na Forti Corse em 1996. Badoer disputou GPs por equipes pequenas, um dos motivos por não ter marcado nenhum ponto nessas temporadas.

Em 1997, foi contratado como piloto de testes da Ferrari, para desenvolver seus carros. Assim, Luca esteve presente nos anos de ouro da equipe italiana, durante o período Schumacher, quando ele venceu sete vezes o título de pilotos, e o time conquistou oito campeonatos de construtores.

Entre 2002 e 2004, como piloto de testes, a velocidade dele nunca foi questionada. Ele tinha velocidade a ponto de, em alguns treinos, andar próximo a Schumacher. Por vezes liderou tabelas de tempo, ao compartilhar a pista com as outras equipes e pilotos de Fórmula 1. Errava pouco e era constante. Onde foi parar esse talento?

Sem dúvida, tal perfil não cabe no piloto que vimos em Valência e Spa. Lento, cometendo vários erros e não conseguindo fazer uma única volta com o ritmo constante. O motivo principal dessa perda de desempenho está na cabeça, no lado emocional, em forma de falta de confiança. Muitos falam que o preparo físico é fundamental para um piloto de Fórmula 1, o que é verdade, mas o preparo psicológico é ainda mais importante.

Vendo o primeiro treino oficial em Valência, Luca saía dos boxes e olhava mais para os retrovisores que para a frente, tirava o pé para os outros passarem e só conseguiu completar uma volta acelerando na quarta tentativa. Dificilmente ele conseguiria um bom desempenho, pois a falta de confiança era evidente. E não deu outra... Deixar de competir faz Badoer perder desempenho, garra e superação, características presentes em seu DNA.

Em se tratando de esporte, competição é a alma do negócio. E o simples fato de estar no grid de um GP de F-1 já é digno de respeito e admiração. Poucos conseguem reunir técnica, conhecimento e equilíbrio físico e psicológico para fazer parte desse seleto grupo, e, para disputar a ponta, é necessário ainda mais que isso.

Inspirado no comentário de Luciano Burti para a revista Quatro Rodas.

O pescoço de um milhão de euros

A alegria de muitos durou pouco. Michael Schumacher afirma que não pilotará a Ferrari F60 de Felipe Massa, em razão das lesões em seu pescoço, decorrentes de um acidente de moto que sofreu em 11 de fevereiro. O alemão diz que não aguentaria a distância de um final de semana de Grande Prêmio.

"Eu realmente tentei de tudo para regressar à categoria, mas as fraturas que sofri na região da cabeça e do pescoço ainda não estão totalmente curadas, impedindo-me de disputar Grandes Prêmios. Agradeço a todos da Ferrari e a meus fãs por cruzar os dedos para que eu regressasse", disse Michael Schumacher, em seu site oficial.

Quem substituirá Michael Schumacher, ou melhor, Felipe Massa, será Luca Badoer, que retorna aos Grandes Prêmios depois de dez anos, após sair da Minardi. Será também o primeiro italiano a pilotar um Fórmula 1 da Ferrari desde 1992, quando Ivan Capelli ocupou um cockpit da escuderia italiana.

"Decidimos chamar Luca Badoer para substituir Felipe Massa, em razão de seu ótimo trabalho como piloto de testes durante todos estes anos", disse Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari.