Grandes mentiras sobre HTML5

Você anda de congresso em congresso, de palestra em palestra e vai colecionando uma série de leis e cânones que vêm de cima pra baixo sobre HTML5. Às vezes fico ruborizado ao ver aquela pessoa que tem pouca informação, má fé ou má intenção, dizendo absurdos sobre HTML5 ou qualquer uma das novas APIs agregadas a ele.

A verdade é que tudo é muito simples, e que tem pouca gente com coragem de dar a cara pra bater fazendo o que tem que ser feito: abandonar o desgastado, velho e semanticamente limitado XHTML. Vamos classificar algumas mentiras clássicas sobre HTML5.

HTML5 não pode ser usado comercialmente

Essa mentira tem um fundo de preguiça. Um pouco de preguiça de aprender, mais um pouco de preguiça de mudar paradigmas. A Soyuz, onde trabalho, abandou o XHTML desde setembro de 2010 e até hoje não sentimos saudade. Já fizemos mais de 20 sites e sistemas próprios e para clientes com a tecnologia e não sentimos problemas graves. Óbvio que temos que ensinar aos browsers antigos e sem suporte, por meio de técnicas, como interpretar as novas tags ou até elementos de CSS3, mas isso não é impeditivo pra que uma web mais rica e semanticamente mais elaborada seja apresentada às pessoas cujos navegadores tenham suporte nativo ao HTML5.

A maior mudança do HTML5 foi Vídeos, Áudios e Canvas

Mentira ingênua. A maior mudança do HTML5 foi semântica. Introdução de tags que melhoram a compreensão do código para o browser, leitores e robôs. A nova semântica, com o passar do tempo, vai fazer com que a web vire um grande repositório de dados interligados. As próprias tags de áudio e vídeo, além de atuar como players, também são semanticamente mais ricas e indicam que a página tem um conteúdo multimídia até para dispositivos incapazes de tocá-los.

Objetivo do HTML5 é matar o Flash

Mentira guerrilheira. O objetivo não era matar o Flash. Era agregar tecnologias que o Flash, por muito tempo, trouxe na frente. Se o Flash se tornar obsoleto, a Adobe está preparada pra isto, pois é muito mais barato fazer softwares de edição para HTML5 do que manter uma equipe pra produzir um player próprio. Não seja bobinho. Tecnologias abertas dão muito mais lucro hoje em dia. Milhares de geeks mundo afora debugam de graça.

HTML5 não faz diferença pra SEO/SEM

Em 2008 o Google já estava desesperado por uma nova semântica que indicasse para robô o que os conteúdos queriam dizer. Ele queria ter acesso a mídia. Ele queria semântica. Muita semântica. E você, meu bom amigo, acha mesmo que ele está ignorando todo a nova semântica? Acha que tem um cara falando: "ah, não faz diferença pra mim saber que isto é um artigo ou menu ao invés de um DIV genérico". Você está em negação. E vai ser atropelado. Sua sorte é que tem muita gente no mercado que acredita em Saci Pererê. Mas eu não.

HTML5 tem falhas graves de segurança

Não use! Não use... tecnologia! Toda tecnologia tem furos, não se engane (nem você, usuário de Mac): tudo em TI tem furos. E HTML5 deve ter seus furos, sim! Mas nada é mais grave do que o que sempre existiu! É uma tecnologia em formação, e é lógico que tem muitos gurus do caos querendo apregoar o apocalipse. Novas tecnologias, mas mesmas e velhas boas abordagens de segurança. A vantagem é que estamos desenvolvendo uma plataforma aberta, o que possibilita que a falhas sejam descobertas e tratadas de maneira muito mais rápida e honesta.

Concluindo

Há mais, e eu vou me lembrar pra acrescentar. Por enquanto, essas são as mais chocantes. Espero que vocês não sejam medrosos e abusem da Plataforma Aberta da Web. Só assim a tecnologia vai avançar e atingir a todos igualmente e democraticamente. Plante a coragem de ter coragem e não o medo que torna as pessoas reféns.

Clécio Bachini
iMasters

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