Você é contra certificação? Valeu, popstar!

De uns tempos pra cá muitos artigos em blogs e sites têm aparecido, tanto nacionais quanto estrangeiros, a respeito de como certificações são ruins, não garantem qualidade e que os profissionais não deveriam buscá-las.

Cuidado!

Ao ler um artigo desses, saiba quem está falando e para quem ele está falando. Você se encaixa no perfil de se dar ao luxo de não ter uma certificação?

Analisando um dos argumentos mais comuns dos manifestantes, está o fato de que você não gostaria de trabalhar para uma empresa que valoriza certificação. Uma empresa que provavelmente tem uma área de recursos humanos que vai contratar você como recurso e não como o artista tecnológico que você é, onde você trabalhará de 8 às 17 e terá que preencher relatórios semanalmente para gerentes que não escrevem em blogs.

Esse quadro diabólico geralmente está pintado junto ao seu herói, a falácia de Equipes Ágeis e empresas supostamente bacanas de se trabalhar, como Ggl* ou outras tantas modernas que avaliam o candidato tecnicamente, e não baseadas em suas certificações e diplomas. Aqui no Brasil, dependendo do seu nicho, talvez você já tenha ouvido falar de como é legal trabalhar na Glb.com* e que lá os gerentes de TI não dão valor às certificações.

Ao ler um artigo desses, o profissional concorda com os argumentos por estar cansado de ser tratado como recurso em um ambiente corporativo e por ser óbvio o fato de as certificações serem criadas por empresas de tecnologia a fim de ganharem mais dinheiro e terem mais valor no mercado. Sem contar quando o profissional conhece alguém certificado que não é tão bom quanto ele, que não tem certificação. O profissional se sente enganado e decide que o melhor é aderir a essa pseudo-anarquia, já que os que o fizeram estão tão felizes nos seus blogs e empregos maravilhosos.

Mas antes de dizer não a essa conspiração dos diplomas, sugiro que você reflita sobre quem você é. Você realmente acha que vai conseguir uma vaga nessas empresas bacanas?

Porque o autor do tal artigo rebelde se parece com você apenas ao concordar que certificado não significa bom profissional. Mas você parou pra pensar no que ele, que é contra certificação, teve que fazer pra conseguir um bom emprego? Você tem feito o mesmo? Aliás, você parou pra pensar se ele é certificado? Porque muitos - e eu digo MUITOS! - dos que têm postado artigos contra certificação são, ironicamente, certificados em diversas tecnologias e metodologias, atendem a diversos workshops, fazem diversos cursos E mesmo os que, de fato, não têm nenhum vínculo com a máfia dos selos geralmente são ícones na área e já conseguem provar capacidade de outras formas.

E você? Você é líder ou pelo menos participante de alguma grande comunidade open source? Você é referência como solucionador de bugs nos maiores softwares do mercado? Você é autor de tecnologias que outras pessoas dependem? As pessoas reconhecem você em palestras? É brilhante ou tem pelo menos um portfolio impressionante?

Sinceramente, a maioria de nós não. Somos anônimos e só queremos um emprego, e nessas horas uma certificação pesa muito na hora em que o RH da empresa chata vai escolher os currículos pra entrevista.

Então, ao invés de fechar os olhos e achar que está sendo malandro, pare e pense no que é melhor pra você. Claro que se você preferir se tornar um popstar da galerinha nerd, ótimo, vai conseguir o tal emprego bacana. Mas enquanto isso, fica esperto!

* empresas fictícias

iMasters

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