A publicidade e a convocação


Não entendo bulhufas de publicidade, apesar de ser empresário, trabalhando em conjunto com outros dois sócios, especialistas na área, mas começo a observar algumas coisas a respeito do assunto, inclusive aprendendo alguns macetes. Todavia, sempre disse que, se não tivesse obtido a graduação em Ciência da Computação, preferiria ter me formado jornalista ou publicitário, por causa do imenso interesse na área.

Ao longo dos últimos anos, especialmente em véspera de convocações da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, a "imprensa" sempre arranjou uma maneira de pressionar o técnico para escalar este ou aquele jogador, só porque, por exemplo, marcou três gols numa partida recente. Só para exemplificar, em 2002, Romário foi o bode expiatório de Luis Felipe Scolari.

Em 2010, não foi diferente: o trio do Santos, Paulo Henrique Ganso, Robinho e Neymar, foi a "bola da vez" dos veículos de comunicação. Isto porque o Santos Futebol Clube vinha de uma expressiva goleada de dez a zero contra o fraquíssimo Naviraiense, e a conquista do Campeonato Paulista. Outros jogadores também foram fortemente cogitados, como Ronaldinho Gaúcho e Adriano, porém, com menor intensidade.

Ultimamente, observo uma certa "tendência" da imprensa jornalística de achar algum acontecimento para gerar assunto que repercuta nas "massas". E isso também está ocorrendo nas agências de publicidade, como no caso do anúncio da Seara, que mostra Ganso, Robinho e Neymar, com camisas imitando as da Seleção Brasileira, fortemente tendenciando que os três seriam já convocados antecipadamente para a Copa do Mundo.

No entanto, Dunga preferiu continuar com a regularidade da Seleção Brasileira que se classificou com três rodadas de antecedência para a Copa do Mundo, e chamou os jogadores que atuaram nas Eliminatórias Sul-Americanas e, obviamente, que já tiveram experiência atuando com a camisa amarela da Seleção "Canarinho".

A mídia brasileira comete atualmente uma atitude terrível: está fazendo com que o povo confunda "coerência" com "burrice", querendo que o técnico chame os "craques" instantâneos, que fizeram três gols em uma partida recente, do que convocar os jogadores que fizeram "pelo menos um gol por partida", ou que tiveram uma atuação regular ao longo dos três últimos anos, que ajudaram o Brasil a "carimbar o passaporte" para a Copa do Mundo, e, por isso, são merecedores da convocação.

Adriano pode ter boas atuações em partidas decisivas, mas não comparece aos treinos do Flamengo com regularidade, está fora de forma e é indisciplinado. Assim como Ronaldinho Gaúcho, que também não está na melhor de suas condições, perderam sua titualidade na Copa do Mundo não por causa de Dunga, mas deles mesmos. Não se pode arriscar o trabalho de quatro anos por conta de certos caprichos, em detrimento de chamar quem tem comprometimento, atitude, paixão e o sonho de estar representando o país na maior competição do futebol.

O resultado de uma convocação errada pode ser desastroso...

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