Schmier de pérola

O que chega a nossos ouvidos neste outubro é o novo disco do Pearl Jam. Seu som é tão bom quanto uma schmier de uva. Na verdade, uma "geleia de pérola". Falando um pouco no idioma alemão, uma "schmier de pérola".

O grupo lança o aguardado Backspacer, primeiro disco após o homônimo Pearl Jam, um resgate da sonoridade crua e roqueira que deixava saudades. O novo álbum vem mais pop, com refrões agradáveis e melodias enérgicas, sem esquecer da pegada e, claro, dos momentos de calmaria com boas baladas.

A banda abre as portas do disco sem frescuras. A furiosa Gonna See My Friend chega “chutando” os ouvidos. Uma porrada vintage, com timbres açucarados que navegam em alta velocidade, entre rasgadas linhas vocais. Seguindo e pisando fundo, a faixa Got Some transpira melodias singulares, e deixa em destaque o vocal de Eddie flutuando em praias melódicas.

O disco tem a sua essência grunge, e segue com alguns ecos do estilo que a banda ajudou a firmar lá no início da década de 90. Fiel a essa sonoridade, o primeiro single do álbum, The Fixer, tem uma levada mais cadenciada, com guitarras em sintonia com um refrão grudento. É a espinha dorsal do disco e poderia constar em qualquer coletânea do Pearl Jam.

Na sequência, Johnny Guitar mantém o embalo, que perde potência em Just Breathe. Amongst The Waves é uma bela balada, ótima para grudar a partir do momento em que invadir as FMs. Unthought Known parece que vai empolgar e não empolga. Uma composição que lembra a estrutura das canções do Coldplay e, lá no fundo, do U2.

Supersonic é um rockão. Chega abrindo espaço carregada de energia, com riffs alucinantes e solos rasgados que flertam com uma batera insana. O eletrocardiograma já baixa com Speed Of Sound, que de speed não tem nada. A faixa é chatinha e até deve agradar pelas vocalizações bem alinhadas, mas dá uma vontade de voltar o disco ao início pra recuperar a energia. Mas não é necessário. Uma bateria bem marcada dá início a Force of Nature e agrada bem. Vocal em doses melancólicas, guitarras sedutoras. Uma viagem dentro do universo Pearl Jam.

The End, em tom de despedida, como adianta o nome, desperta uma certa tristeza em forma de canção. Talvez pelo fato de o CD estar acabando. Uma canção de ninar pra marmanjos, que encerra Backspacer com a certeza de um bom trabalho, fiel ao que o Pearl Jam se tornou após passar pelos tons de cinza do grunge. A banda mais pop entre os roqueiros de flanela daquela geração continua firme na produção de sua agradável “geleia de pérola”.

Jansle Appel Junior
Gazeta do Sul

Nenhum comentário:

Postar um comentário