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Denis Feijão, produtor de "Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio", fala sobre o documentário

Em entrevista, o produtor do filme, "Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio", Denis Feijão, falou sobre as futuras perspectivas do documentário, do diretor Walter Carvalho.

O documentário retrata as diversas facetas do músico, desde suas parcerias com Paulo Coelho até seus casamentos. Sua estreia nos cinemas será no dia 23 de março.

Bem, já que o filme se trata de um grande ícone da música brasileira, há muitas histórias ao redor do personagem. Então, como foi a organização e o recolhimento dessas histórias e depoimentos?

Todo filme tem seus desafios. Este é além disso, uma oportunidade. A densidade de suas criações, da vida destemida, das lutas colocadas nas metáforas elaboradas que nem a censura alcançava. Isso foi lembrado inclusive no filme em um depoimento do Pedro Bial.

Houve dificuldades ao longo da produção, principalmente a respeito das entrevistas? Quais?

É um personagem complexo, de muita referência musical e de comportamento singular. Conseguimos neste período mapear tudo da vida e obra do artista e do homem. São 400 horas de materiais. As filmagens consumiram quase 2 anos. Depois disso, a montagem teve uma imersão de 1 ano e meio e trabalho. Paulo Coelho, Pedro Bial, Nelson Mot, Caetano Veloso, Marcelo Nova, Edy Star, André Midanni, Tom Zé, Zé Ramalho, entre outros.

O que mais se ressaltou durante a produção do filme?

Sempre tive na cabeça que deveriamos resgatar e reunir as imagens existentes, criar outras para recriar a trajetória de vida desta fera, deste ícone do Rock Brasileiro e de a sua época. Depois do filme tive certeza que sua paixão, levada ao extremo da auto-destruição é infelizmente demonstração de seu envolvimento, sua essencialidade, e o quanto as limitações da época e do país lhe foram difíceis de suportar. Viveu momentos conturbados da história brasileira, em que todos os artistas, transgressores como ele, eram vistos com suspeito pelo regime militar, vivendo o momento da estruturação no Brasil do fenômeno da cultura de massas. Raul Seixas não resistiu às tensões e, como inúmeros outros artistas de seu tempo, adormeceram ou "morreram" prematuramente. No caso dele, morreu de fato! A vida do Raul está em todos nós.

A respeito do elenco, como foi a escolha dos atores para seus respectivos personagens?

Além do complicado quebra-cabeça de formatos e suportes os mais variados, foram mais de cem entrevistas. E a cada entrevista, abria-se mais o leque. Desde a família, filhas, companheiras, amigos, parceiros, fãs famosos, artistas consagrados, produtores musicais, pensadores, e etc. As coisas se tornavam sempre grandiosas. Fomos à Suiça para ficar 40 minutos com o Paulo Coelho, ficamos mais de duas horas, ele contou tudo que dá para fazer outro filme e até uma mosca apareceu para entrar na nossa sopa. A equipe também foi importante. Era uma orquestra que sabia intuitivamente que estávamos lidando com um mito e uma história sui generis. Logo, as regras eram diferentes de tudo. Está na tela o que o time colheu.

O filme "Cazuza – O tempo não para" também foi dirigido por Walter Carvalho. Pode-se dizer que esse filme serviu de "molde" para a produção de "Raul – O início, o fim e o meio"?

Precisava de um diretor, um parceiro, que tivesse a sensibilidade de demostrar as diversas facetas do Raul Seixas, e principalmente, tentar desvendar a enorme comunicação que suas músicas e ideologia com os fãs mesmo depois de sua morte e ao mesmo tempo, um homem vivido, corajoso, que poderia ter o mesmo beat do Raul. Sabia que seu olhar iria ampliar a nossa percepção diante do mito Raul Seixas, e ao mesmo tempo, que a vasta experiência dele seria fundamental para atenuar as dificuldades que iríamos encontrar.

O filme possui um caráter mais voltado ao gênero "documentário"?

O filme é um Documentário de longa-metragem.

Ao todo, como foi trabalhar sobre a história de vida de um dos maiores músicos brasileiros?

O Raul que consigo enxergar é um visionário que fez o possível e o impossível, por ele mesmo, e pelo que acreditava. Sua musicalidade, sua cultura e na desobediência foram virtudes necessárias para o sucesso. Deixou isso em forma de música. Foi chamado de pai do rock, mas ele foi "pai’ de uma geração calada e colocada no canto. Influenciou a maneira de ser, de agir e não um estilo de vida ou um passatempo que tocava na vitrola. O Raul deve ter salvo muito pai reacionário da ira de seus filhos!

A simplicidade traz a pluralidade, Raul Seixas é o nosso "Leonardo Da Vinci" da música brasileira. Manteremos nosso respeito por esse grande cara Raul Seixas, pelo nosso trabalho digno e honesto, sem perder o controle e a integridade da história que devemos contar, não respeitando a natureza, os eventos e as mitologias que cercam nosso astro. Esse filme será visto diversas vezes pelas mesmas pessoas. Hoje eu entendo porque as pessoas ainda dizem, mais de vinte anos após a sua morte: "Toca Raul". Ele toca mesmo!


Bem, como está próximo a estreia do filme, gostaria de encerrar essa entrevista perguntando quais são as perspectivas para após a estreia do filme?

Pelo que já tivemos de resposta antes mesmo do filme chegar no circuito comercial, não sei aonde poderemos chegar. O filme todo foi uma surpresa maravilhosa. Espero o mesmo daqui em diante. Já tivemos duas surpresas inesperadas. Fechamos o Festival de Cinema do Rio e na Mostra de Cinema de SP ganhamos os prêmios de melhor documentário brasileiro da Mostra, e melhor documentário pelo voto popular. Sem dúvida o filme vai multiplicar o legado do Raul, muito mais do que venda de jornal, livro e revista. Atualmente estou desenvolvendo dois novos longas, "Sabotage" sobre a vida do rapper e "Hortência" baseado na trajetória da atleta e rainha do basquete mundial.

Whiplash

Raul Seixas: O Inicio, o Fim e o Meio


Com direção de Walter Carvalho e Evaldo Morcazel, "O Início, o Fim e o Meio" aborda a vida de Raul Seixas, através de depoimentos antigos do cantor e atuais de familiares e amigos, como Paulo Coelho e Caetano Veloso, além de material cedido por Kika Seixas, ex-esposa do cantor.

Foi gravado em Salvador, onde Raul nasceu, e em São Paulo, Rio de Janeiro, Suíça e Estados Unidos. O documentário é previsto para ser lançado nos cinemas no segundo semestre deste ano.

TOCA RAUUUULLL!




Raul Seixas foi o precursor e, até hoje, o maior roqueiro que esse país já viu! Para muito além do Rock, Raulzito falou de discos voadores, criou uma sociedade alternativa e, supostamente, até passou uns dias com o John Lennon.

Vinte anos depois de sua morte, em 21/08/1989, ele ainda permanece vivo na memória dos fãs e, como a gente não quer jamais deixar de ouvir por aí "Tooca Rauuul!!!", haverá um MTV+ em sua homenagem, no sábado, às 23h00.

Gospel, música inédita de Raul Seixas

Vinte anos depois da morte de Raul Seixas, o Fantástico descobre uma relíquia inédita. Uma música que ficou escondida por causa da censura da ditadura militar. E, graças à alta tecnologia, é o próprio Raul que apresenta esse novo som. Gospel foi composta em 1974 e só agora é lançada na versão original.


Raul Seixas, Paulo Coelho, a Sociedade Alternativa e a Lei de Thelema

O início dos anos setenta é guardado com imenso carinho por aqueles que os viveram intensamente, formando a romântica juventude daquele tumultuado período.

O eternamente pouco populoso meio thelêmico não escaparia (felizmente) do romantismo que tomara conta da assim chamada geração para frente Brasil. Entre tantos que estiveram em contato inicial com o assim chamado Sistema thelêmico de realização espiritual, dois nomes despontam, bem mais pelo futuro que o destino lhes reservaria, do que pelo conhecimento, propriamente dito, da matéria elaborada por Aleister Crowley (1875-1947): os nomes são, Raul Seixas e Paulo Coelho.

Raul Seixas conheceu Paulo Coelho em 1973, através de um artigo publicado na revista "A Pomba", do próprio Paulo Coelho. A partir deste momento, nascia a tão famosa parceria musical que viria a projetar os dois no cenário nacional.

Paulo Coelho, então em contato com Marcelo Ramos Motta (1931-1987), tomava suas primeiras instruções sobre Crowley e a Lei de Thelema. O fascínio pela filosofia desenvolvida pelo controvertido mago Inglês não tardou a contagiar o promissor jovem escritor que, logo em seguida, a apresentaria a Raul Seixas. A vida e a obra dos dois foram fortemente marcadas por este período.

Motta, então, escreve para um de seus discípulos (Euclydes Lacerda de Almeida), pedindo para que este se responsabilizasse pelo desenvolvimento de Paulo Coelho, tanto na A.'.A.'. quanto na sua particular versão da Ordem dos Templários do Oriente O.T.O.). Marcelo Motta também comporia algumas músicas em parceria com Raul Seixas e Paulo Coelho. Entre as mais famosas estão as belas "A Maçã", "Tente Outra Vez" e "Novo Aeon" (essa ultima em parceria com Cláudio Roberto).

Paulo Coelho, seguindo a orientação de Motta, estabelece contato com a pessoa indicada e esta o aceita como Postulante e Estudante da Lei de Thelema. A significativa troca de correspondência entre Paulo Coelho e seu novo Instrutor durante o período 1973-74 nos dá a certa medida do entusiasmo e dedicação com que Paulo Coelho, desenvolvendo seus estudos, também tomava para si a responsabilidade de divulgação da Obra do controvertido mago Aleister Crowley. Este trecho de uma carta de Paulo Coelho, datada de 26/03/74, nos dá uma idéia de seu entusiasmo, bem como seu envolvimento com a filosofia thelêmica: "... como tomamos [Paulo e Raul] Crowley, principalmente Liber OZ, como base de um estudo social a que nos propomos, gostaria de ouvir e ser constantemente orientado por vocês no sentido de não comprometer nada, falando demais ou falando errado. Informe urgentemente como devemos continuar agindo na divulgação de todos os nossos ideais e nossas idéias."

Seu treinamento mágico teve início formal em 01/01/1974. Em seguida, Paulo Coelho seria admitido na O.T.O. de Motta, assumindo como Mote Mágico (ou nome mágico) "Frater Staars". Raul Seixas e Paulo Coelho, inspirados pela Lei de Thelema e pela Obra de Aleister Crowley, também formulariam um movimento que ficou conhecido como A Sociedade Alternativa, cujo hino, a música que leva o mesmo nome, é a própria declaração da Lei de Thelema.

Paulo Coelho, bem mais organizado que Raul Seixas, seguia firme com suas práticas e estudos thelêmicos. No dia 19 de maio de 1974, Paulo Coelho formaliza seu Juramento ao Grau de Probacionista, sendo admitido na A.'.A.'. com o Mote Mágico "Frater Luz Eterna - 313" (e não "Lúcifer", como erroneamente divulgado por certos autores nacionais). Junto a seu Juramento, envia uma carta em que seus ideais ficam expostos de forma bem clara. Nela, Paulo Coelho diz o seguinte:

"Continuamos a divulgar de todas as formas o Liber OZ, [...] A Sociedade Alternativa continua com o sucesso de sua caminhada no sentido de construir as bases sociais para uma verdadeira civilização thelêmica."

No entanto a eternidade de sua luz na senda thelêmica, bem como sua certeza de propósitos em relação a esta filosofia de vida, não iriam durar muito tempo: ironicamente, esta seria sua última missiva dirigida a seu Instrutor. Cinco dias depois, na sua famosa "noite negra do dia 24", Paulo Coelho, junto a outros "subversivos", é preso pela polícia do exército. Sim, ele de fato viu o "diabo" e, muito embora estes não possuíssem rabos pontudos nem chifres e usassem o verde oliva no lugar do vermelho, esse seria - segundo o pouco criterioso modo thelêmico de avaliação - o fim de sua carreira mágica, pelo menos naquilo que diz respeito a Thelema. Na verdade, como um exame mais inteligente demonstraria, este foi o início de sua realização tanto mágica quanto pessoal.

Na época, contudo, provavelmente a forte formação cristã (católica) de Paulo Coelho o tenha feito associar os dois fatos, mostrando-lhe então o quão "errado" ele estava em seguir "os passos da Besta". Mas isso é apenas mera especulação. Devemos sempre lembrar que todos têm direito de optar pelo que melhor lhes parecer. Alguns anos depois o novo Paulo Coelho se transformaria no mundialmente famoso escritor que todos conhecem. Não há lei além de faze o que tu queres e Paulo Coelho fez o que realmente quis.

Aqueles que conhecem esta parte da história do hoje famoso mago, sabem o quanto esta fase marcou o escritor que se formava. Esses também especulam qual é a verdadeira origem do seu conhecimento que, fragmentado e diluído, habita alguns de seus Best-sellers, além, é claro, do que significaria sua Ordem de RAM (também especulando, é curioso observar que a palavra inglesa RAM é designativa para Áries, Carneiro ou ainda de Bode Montês - nesse caso, o Trunfo XV do Tarot de Crowley).

Raul Seixas, por sua vez - que nunca quis vinculo formal com qualquer organização de cunho thelêmico - seguindo o exemplo de praticamente todos os estudantes de thelema daquela época os quais ainda guardavam uma réstia de bom senso, rompeu definitivamente contato com Motta. Raul Seixas, entretanto, seguiu de modo independente e anárquico, características bem próprias a sua fantástica personalidade, a divulgar a Lei de Thelema e a genialidade de Crowley. E assim, através de seus próprios méritos, ele se consagrou, e mesmo hoje, após sua precoce morte ele continua como uma agradável e inspiradora lembrança, bem vívida na mente daqueles que amam a obra do sempre eterno maluco beleza.

Para muitos esse foi o fim do sonho da Sociedade Alternativa, para outros entretanto, seu verdadeiro início...

Quanto a Marcelo Motta, a partir de 1974 ambos, Raul Seixas e Paulo Coelho, não mais se relacionariam com ele (e nem com ninguém associado a Lei de Thelema). Motta, por sua vez, como sempre acontecia em relação a seus "ex-discipulos" (ou a qualquer pessoa) que faziam sucesso, não os poupou de sua insana ira. Especificamente sobre o nosso queridíssimo Raul Seixas, valerá deixar as palavras do próprio Motta sobre ele, com a referida fonte bibliográfica. As palavras que seguirão abaixo são do próprio Marcelo Motta falando na terceira pessoa:

"Raul dos Santos Seixas: Cantor e compositor popular brasileiro. Foi em certo tempo um Probacionista de Marcelo Ramos Motta. Tentou USAR Crowley para sucesso pessoal, MACAQUEANDO os Beatles. Por sua própria requisição escreveu varias músicas tendo Motta como seu letrista. Tentou ROUBAR as letras e expurgou várias de suas letras, CURVANDO-SE a censura governamental. Cortou contato com ele."

Num simples e curto parágrafo, Raul Seixas é acusado de "usar" o Crowley para sucesso pessoal, de se submeter a censura (quem o conheceu pode atestar o que o Raul achava da censura... e salvo me engano, a única musica do Raul que foi de fato censurada foi o debochado "Rock das Aranhas"...), além dele ser chamado publicamente de macaco e de ladrão. Enfim, Motta seguiu, processando e caluniando o Raul, da mesma forma como fez com tantos outros.

Marcelo Motta faleceu prematuramente aos 56 anos de idade, em 27 de agosto de 1987, sozinho, em Teresópolis, cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro. Raul Seixas faleceu dois anos depois, em 21 agosto de 1989. Paulo Coelho continua sendo um sucesso e hoje ocupa a Cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.

ArteMagicka