Geração Baré-Cola: o rock em Brasília nos anos 1990


Como diria Renato Russo, "nem toda a geração brasileira foi Coca-Cola". Algumas pessoas preferiam Baré, aquele refrigerante que lembrava mais o Guaraná e era vendido em uma garrafa de vidro igual à de cerveja. O tal refrigerante foi um símbolo da década de 1990 e foi escolhido pelo diretor Patrick Grosner como mote para fazer um retrato do rock feito em Brasília nesta década.

O documentário "Geração Baré-Cola - Usuários de Rock" abordará a cena do rock de Brasília nos anos 1990, e trará cenas antigas de bandas locais. O filme terá depoimentos de Gabriel Thomaz, ex-Little Quail e atual Autoramas, Digão e Canisso, dos Raimundos, e Rodolfo Abrantes.

Entre as bandas presentes, estarão Animais dos Espelhos, Akneton, BSB-H, Câmbio Negro, Deja Vu, DFC, Divina Tragédia, Dungeon, El Kabong, Feijon’s Band, Filhos de Menguele, Flammea, Kratz, Little Quail and the Mad Birds, Low Dream, Maskavo Roots, Os Alices, Os Cabeloduro, Os Cachorros das Cachorras, Os Wallaces, Oz, Pravda, PUS, Raimundos, Restless, Roque & Os Biles, Royal Street Flash, Vernon Walters e Zona.

Grosner, 41 anos, é testemunha da maioria dos agitos, causos e histórias que estarão no filme. "Entre 1988 e 1990, morei no Canadá. Quando voltei à Brasília, o rock estava bombando. Eu não tocava, mas já levava a fotografia a sério. Como sempre gostei de música, as coisas convergiram e comecei a fotografar as bandas dos meus amigos".

O título Geração Baré-Cola reflete bem o espírito daquela época. "Ninguém usava essa expressão. O nome faz um contraste com a geração do rock de Brasília da década anterior, a 'Geração Coca-Cola'.

Nos anos 1980, a coisa era um pouco mais calcada nas influências estrangeiras. A galera que veio depois, além de se preocupar mais com a originalidade, olhava mais para o Brasil.

As pessoas queriam misturar sonoridades para fazer uma coisa nova, o que também aconteceu em outras cidades brasileiras, mas aconteceu aqui antes de o resto do Brasil ter noção disso. Ninguém pensava em fazer sucesso ou se levava muito a sério. A banda podia ser de metal pesado, mas tinha letra engraçada.

Será um filme bem musical, com imagens de arquivo e fotos, as minhas e as feitas por Zé Maria Palmieri e Paola Antony, intercaladas com depoimentos das pessoas sobre aquele universo, as influências, o que era viver em Brasília no começo dos anos 1990.

O depoimento de Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, é a cereja do bolo. É o Rodolfo de sempre, em nenhum momento você vai achar que ele virou um cara super-religioso, só quando ele aparece tocando com a nova banda dele.

Entre as imagens recuperadas de velhas fitas VHS, o diretor aponta que há coisas que ninguém viu, maravilhosamente toscas, filmagens de ensaios, shows, e gravações de fitas demo, que vão compor a trilha sonora do documentário”.

"Geração Baré-Cola" cobre um período que vai até 1994, ano que marca o lançamento do primeiro disco dos Raimundos. "O filme conta o começo dessa história, como foi chegar até lá. Se você procurar na internet, vai encontrar toda a trajetória dos Raimundos depois de 1994, mas pouca coisa sobre antes disso. O meu filme surgiu justamente da vontade de deixar um registro audiovisual dessa história".

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