Os matadores voltaram




Após o fracasso de crítica do injustiçado segundo disco, Sam’s Town, sucessor de um impactante trabalho de estréia, o The Killers voltou. A banda reata as afinidades com o pop oitentista, de U2 a Pet Shop Boys, que marcou a sonoridade com a qual a banda se lançou há quatro anos, no aclamadíssimo Hot Fuss.

Brandon Flowers e companhia mostram maior segurança em seu novo trabalho, produzido pelo badalado Stuart Price (Madonna, Keane). É o que mostram os primeiros instantes da faixa de abertura de Day & Age, lançado na última semana de novembro. Loosing Touch é um típico hino Killers, mostrando que o quarteto de Las Vegas não pretende se desgarrar de suas influências new wave.

A segunda faixa, Human, primeiro single de D&A, disponível na rede há um tempo, está imersa na dance music. Na seqüência vem Spaceman, narrando uma abdução que mais parece a descrição de uma experiência psicotrópica. A frase “Está tudo em minha mente” encerra a canção, que deve ser a próxima música preferida de DJs afeitos a refrões explosivos.

O ritmo permanece com a animada Joy Ride, um rock temperado com um certo suíngue que conta até com solos de metal. Mas o clima dançante do disco começa a dar lugar a uma atmosfera mais séria e densa com as brilhantes A Dustland Fairytale e This is your Life.

A chuva de elogios dá uma longa estiada com I can’t Stay. A canção tem uma levada caribenha que quebra a coerência do disco. Uma pena que, ao pularmos de faixa, não caiamos em algo melhor: Neon Tiger e seu refrão brega soam como sobra do disco de sobras, Sawdust, lançado pela banda em 2007 – contendo algumas músicas ótimas, mas em geral uma tragédia.

Apesar do tropeço, o disco recupera seu fôlego com The World we Live in, que remete ao New Order. A intensa Goodnight, Travel Well encerra o álbum que tem tudo pra cair no gosto dos fãs e soa como um convite àqueles que ainda não são. O CD já surpreendeu e terminou a semana em primeiro lugar nas paradas britânicas, superando inclusive o aguardado álbum novo do Guns n’ Roses, Chinese Democracy.

Com Sam’s Town, o The Killers deixou de ser uma banda pra tocar na boate e passou a ser um grupo pra fazer grandes shows em estádios. Agora, em Day & Age, voltou pra pista de dança.

Jansle Appel Junior
jansle@gazetadosul.com.br
Gazeta do Sul

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